O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) atuou nos bastidores para garantir a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no desfile de 7 de Setembro, em Brasília. A movimentação ocorreu em meio ao agravamento da crise interna da Suprema Corte e teve como objetivo reforçar uma imagem de diálogo entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
As informações são do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil. Segundo relatos obtidos pelo colunista, Lula reforçou os convites institucionais e considerou importante que as principais autoridades dos três Poderes estivessem presentes na cerimônia em um momento de forte tensão no Judiciário. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já era esperado no evento.
Lula tenta preservar imagem de diálogo entre os Poderes
Em conversas reservadas, Lula teria defendido que o momento exigia uma demonstração pública de convergência institucional. A estratégia seria apresentar os Poderes como capazes de dialogar e buscar uma saída para a crise que atingiu o STF.
A situação ganhou tensão adicional após o confronto institucional envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Fachin chegou a avaliar se deveria comparecer ao desfile, segundo integrantes da Corte ouvidos pela CNN, mas teria concluído que sua presença poderia representar justamente um sinal de estabilidade institucional.
O cenário também explica a orientação recebida por Lula de assessores próximos para que, ao tratar da crise, mantivesse o diálogo restrito ao presidente do STF, evitando assumir posição pública em favor de qualquer um dos lados do conflito.
Crise no STF aumenta pressão sobre o governo
A tentativa de construir uma imagem de convergência ocorre enquanto a crise na Suprema Corte ganhou novas dimensões com os desdobramentos do caso Banco Master e as controvérsias envolvendo Moraes e Mendonça.
Fachin passou a atuar como uma das principais figuras institucionais na tentativa de administrar as tensões internas da Corte. O episódio também ampliou a pressão política sobre Lula, que vem sendo cobrado por diferentes setores a se posicionar diante das denúncias e disputas envolvendo ministros do Supremo.
Nesse contexto, a presença de Fachin ao lado do presidente da República no 7 de Setembro ganhou peso político além da solenidade oficial. A avaliação dentro do governo era de que a imagem conjunta ajudaria a transmitir uma mensagem de normalidade institucional em um momento de crescente desgaste entre integrantes do Judiciário.
Alcolumbre também entra no cálculo eleitoral
A presença de Alcolumbre teve ainda uma dimensão política relacionada às eleições de 2026. O presidente do Senado ainda não declarou apoio público à tentativa de reeleição de Lula, mas o chefe do Executivo avalia que o senador poderá fazer um aceno em um eventual segundo turno.
Por isso, segundo a apuração da CNN, Lula também teria comemorado a participação do senador no desfile por razões eleitorais. A aproximação com o comando do Senado pode ser relevante para o presidente em uma disputa marcada pela necessidade de ampliar alianças no centro político.
Comparação com o 7 de Setembro de 2022
A presença das principais autoridades dos três Poderes também contrasta com o cenário observado em 2022, quando Jair Bolsonaro disputava a reeleição.
Naquele ano, os então presidentes do Congresso e do STF não participaram do desfile cívico. Havia receio de que o então presidente utilizasse a cerimônia para fazer críticas públicas ao Judiciário.
Quatro anos depois, Lula tenta explorar justamente o efeito contrário, transformando a presença conjunta das autoridades em uma demonstração de institucionalidade e diálogo em meio à crise que atinge o Supremo.
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