O presidente Lula (PT) comparou nesta sexta-feira 25 a disseminação das apostas on-line no Brasil ao avanço do crack no País. Durante cerimônia em São Paulo na qual assinou a medida provisória que proíbe a operação das bets, o mandatário afirmou que relatos de pessoas endividadas com apostas o fizeram lembrar do início da epidemia da droga.

“Pedi para convocar oito pessoas que estavam devendo na bet para conversar e fiz uma reunião. Tem coisa que é estarrecedora. Me lembrou um pouco o começo do crack neste País”, disse o petista. Ele relatou ainda que, no início da epidemia do tóxico, ouvia de mães histórias de filhos que vendiam bens de casa para conseguir dinheiro para comprar a droga.

Na avaliação de Lula, a expansão das apostas por meio de celulares levou os jogos de azar para dentro das residências. “A sociedade ficou absolutamente desprotegida. Esse País que era contra cassino, contra briga de galo, trouxe o cassino para dentro de casa”. Em outro momento, afirmou que as apostas funcionam como um “câncer” e defendeu a necessidade de interromper sua expansão: “Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente”.

A medida anunciada pelo governo proíbe a operação das bets no País. A partir da publicação da MP, as plataformas não poderão receber novos depósitos. Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas contas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão sair do ar.

O discurso de Lula também foi marcado por críticas aos clubes de futebol que se opõem à proibição das apostas.

O setor se tornou um dos principais destinos de publicidade das bets, que se tornaram onipresentes nas placas publicitárias, uniformes dos times e transmissões de jogos. Apenas na Série A do Campeonato Brasileiro, onde 13 das 20 equipes exibem patrocínios de bets, o total de investimentos estimado para 2026 é de 1,1 bilhão de reais. Nove clubes da elite do Brasileirão têm contratos publicitários com as plataformas de aposta com valor superior a 50 milhões de reais.

“Eu quero que meu time ganhe, mas não dá para os times dizerem para mim que sem as bets eles acabam. O Santos era o melhor time do mundo e não tinha bets. O Brasil foi pentacampeão do mundo sem bets. Não sei como um time contrai uma dívida, parece que jogou na bet. Estamos dizendo para o povo brasileiro que não vamos permitir que eles sejam utilizados por bets”.

Além da medida provisória, o governo encaminhará ao Congresso um projeto de lei que cria crimes específicos relacionados às apostas on-line. O texto prevê pena de quatro a seis anos de prisão para quem explorar ou operar apostas de quota fixa e de dois a quatro anos para quem fizer publicidade, promoção ou ações de marketing destinadas a estimular apostas. Neste caso, porém, as medidas dependem de aprovação do Legislativo.

Créditos Autor: Wendal Carmo
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