O presidente Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27), que não pretende interferir nas investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O candidato à reeleição disse que, caso o filho tenha cometido algum ilícito, deverá responder à Justiça como qualquer cidadão.
Lula declarou que não afastará delegados da Polícia Federal nem fará qualquer movimento para impedir as apurações. Segundo o presidente, ainda não há provas concretas de que Lulinha tenha cometido crimes, e as informações divulgadas até agora seriam, em sua avaliação, “ilações”.
“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, afirmou o presidente.
Lula critica ex-chefe de gabinete e fala em desconfiança
Durante a entrevista, Lula também comentou as mensagens envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.
O presidente classificou como “totalmente errado” o fato de Marcola ter mantido esse tipo de relação e afirmou que o episódio gera desconfiança dentro do Palácio do Planalto. Lula, no entanto, ressaltou que mensagens e conversas telefônicas, isoladamente, não comprovam a existência de crime.
Ao ser questionado sobre uma mensagem na qual a lobista teria afirmado que Lula lhe ofereceu um cargo, o presidente negou conhecê-la e ironizou a declaração.
Correios não serão privatizados, diz Lula
Outro tema abordado foi a situação financeira dos Correios. A estatal acumula anos de prejuízos, mas Lula descartou a possibilidade de privatização caso seja reeleito.
O presidente afirmou que pretende recuperar a empresa e melhorar a qualidade dos serviços. Ele reconheceu que os Correios perderam espaço diante das transformações no mercado de entregas, mas defendeu a manutenção da estatal e admitiu possíveis associações com empresas brasileiras ou estrangeiras.
Presidente fala sobre fraude no INSS
Lula também foi questionado sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. O presidente afirmou que cerca de R$ 3 bilhões já foram ressarcidos aos aposentados e pensionistas e atribuiu as irregularidades a uma estrutura que teria começado em governos anteriores.
Sobre Carlos Lupi, que deixou o Ministério da Previdência em meio ao escândalo, Lula afirmou que não considera correto condená-lo antes da conclusão das investigações.
O presidente também voltou a falar sobre a fila do INSS e afirmou que pretende anunciar na próxima semana uma redução significativa do número de pessoas aguardando atendimento, chegando a um patamar que considera normal.
Lula defende Jaques Wagner no caso Banco Master
O presidente também foi questionado sobre as investigações envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição ao Senado.
Lula afirmou ter confiança no senador e disse que a relação entre os dois, construída há décadas, não seria suficiente para colocar em dúvida sua conduta. O presidente ressaltou, porém, que qualquer pessoa deverá responder caso seja comprovado algum ilícito.
Dívida pública e economia
Na área econômica, Lula afirmou que a dívida pública não é uma preocupação central para ele e atribuiu parte do aumento da relação entre dívida e Produto Interno Bruto aos juros elevados e ao déficit fiscal.
O presidente argumentou que o crescimento econômico pode ajudar a reduzir a relação entre dívida e PIB e citou países como Estados Unidos, Japão e Itália para comparar os níveis de endividamento.
Entrevista ocorre no início da propaganda eleitoral
A entrevista ocorre um dia antes da estreia da propaganda eleitoral gratuita para presidente no rádio e na televisão. Lula terá o maior tempo de exposição entre os candidatos, com 5 minutos e 31 segundos no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 4 minutos e 20 segundos.
A estratégia do candidato à reeleição tem sido utilizar a exposição para apresentar resultados do governo, defender novas propostas e responder a temas que vêm sendo explorados pelos adversários, especialmente as investigações envolvendo Lulinha e o escândalo do INSS.
A entrevista também antecede a participação de Flávio Bolsonaro, que será entrevistado pela Globo nesta sexta-feira (28).
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