Lula publicou mensagem sobre o Dia do Servidor Público cerca de 20 minutos após Flávio Bolsonaro divulgar carta em que se declarava ‘presidente eleito do Brasil’. O senador depois recuou e se definiu como ‘líder’. O Planalto não respondeu sobre o caso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou uma mensagem em suas redes sociais sobre o Dia do Servidor Público cerca de 20 minutos após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar uma carta em que se declarava o “presidente eleito do Brasil”. Depois, Flávio recuou e se definiu como “líder”. A publicação de Lula não fez menção direta à carta do parlamentar.
A postagem ocorreu na noite de terça-feira (27.out), mesmo dia em que Flávio, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal deixaram o Brasil. Eles cruzaram a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador.
Flávio se declara presidente eleito
Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro afirmou: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O documento também elogiava o argentino Javier Milei pela “coragem, senso de justiça e legalidade” e afirmava que o norte-americano Donald Trump é um “grande defensor da liberdade de expressão”.
O senador também criticou a prorrogação do horário de votação, afirmando que a decisão de estender a votação até 19h permitiu a Lula receber os votos necessários para vencer. No entanto, a fonte não detalhou o total de votos registrados nesse período.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.poder360.com.br
Recuo e nova versão
Horas depois, Flávio Bolsonaro divulgou uma nova versão do manifesto, na qual se definiu como “líder do Brasil”. A mudança foi registrada em documento separado, disponibilizado em PDF. O senador não explicou o motivo da alteração.
Na carta, Flávio também afirmou ser alvo de perseguição política: “O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment”.
Fuga e intimação da PF
A mando do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal intimou o senador a entregar seus passaportes na segunda-feira (26.out). O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro negou que tenha fugido do país. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, escreveu.
Comparações e liderança da oposição
No manifesto, Flávio se compara a figuras históricas e políticas como Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina. Ele também afirmou que continuará liderando a oposição mesmo fora do Brasil.
“Sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.
Planalto não se manifesta
O Poder360 procurou o Palácio do Planalto por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da carta de Flávio Bolsonaro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A publicação de Lula sobre o Dia do Servidor Público, feita minutos após a divulgação da carta, não mencionou o senador nem o conteúdo do manifesto. O presidente limitou-se a homenagear os funcionários públicos.
O episódio reforça o distanciamento entre o governo federal e a família Bolsonaro, em meio a investigações e disputas políticas. O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando os desdobramentos.
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Créditos Autor: Redação BnT
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