Visita de Jennifer Geerlings-Simons terá foco em segurança, energia e infraestrutura; integração amazônica será prioridade do encontro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta 5ª feira (28.mai.2026), no Palácio do Planalto, a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons (NDP, esquerda). O encontro deve resultar na assinatura de até 12 atos bilaterais e na consolidação de uma agenda voltada à integração amazônica, ao combate ao crime organizado e à ampliação da infraestrutura entre os 2 países.
A visita terá 4 eixos centrais: petróleo, conectividade e infraestrutura, programas sociais e agronegócio. O governo brasileiro também quer avançar em cooperação policial e militar na região amazônica.
O Planalto trata o Suriname como parceiro estratégico na região Norte. O país faz fronteira com o Pará e o Amapá e integra a Amazônia, área considerada prioritária pelo governo Lula em temas de segurança e integração regional.
Dentro disso, há 3 frentes centrais que aparecem como prioridade do governo Lula:
- combate ao crime organizado transnacional na Amazônia;
- integração logística do Norte do Brasil ao Caribe por meio da “rota das Guianas”;
- cooperação energética ligada ao petróleo descoberto no Suriname.
Antes da reunião presidencial, ministros dos 2 países realizaram encontros preparatórios em Brasília. A comitiva surinamesa chegou ao Brasil acompanhada de 5 ministros, incluindo integrantes das áreas de defesa, agricultura, energia, turismo e comunicações.
A estratégia do governo foi antecipar negociações técnicas para que a visita já produza resultados concretos, segundo integrantes do Itamaraty.
A pauta de segurança ganhou peso na preparação da visita. O governo Lula avalia que o crime organizado já opera de forma regionalizada na Amazônia, e, por isso, quer ampliar mecanismos conjuntos de inteligência e fiscalização.
A cooperação deve envolver a Polícia Federal, forças de defesa e centros de monitoramento da Amazônia, incluindo ações contra narcotráfico, garimpo ilegal e circulação de organizações criminosas transnacionais.
Integrantes da delegação do Suriname visitaram estruturas brasileiras de vigilância aérea e monitoramento na Amazônia antes da reunião com Lula.
ACORDOS COM O SURINAME
Entre os acordos previstos, estão memorandos sobre:
- segurança cibernética;
- cooperação policial;
- operações militares na fronteira;
- combate ao tráfico de pessoas;
- saúde pública;
- combate a incêndios florestais;
- e políticas sociais.
Também devem ser assinados acordos ligados:
- à segurança de barragens;
- ao transporte marítimo;
- e à ampliação das relações comerciais.
Integração e obras
A integração logística também será prioridade. O governo brasileiro quer acelerar a chamada “rota das Guianas”, corredor terrestre que pretende conectar o Norte do Brasil ao Caribe por meio de Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
A avaliação do governo é que a rota pode facilitar exportações brasileiras para o Caribe e reduzir gargalos comerciais históricos da região.
O projeto depende da conclusão de rodovias e pontes entre os países vizinhos. Integrantes do governo afirmam que a parte brasileira da infraestrutura já está mais avançada.
A conectividade aérea também entrou na pauta. Autoridades dos 2 países discutem ampliar frequências de voos entre Paramaribo e Belém e estimular novas conexões regionais.
Petróleo e negócios
Na área energética, a Petrobras foi convidada para participar das agendas empresariais. O Suriname vive expectativa de crescimento econômico depois da descoberta de reservas estimadas entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris de petróleo.
O governo brasileiro vê potencial para cooperação em exploração offshore, prevenção de acidentes e desenvolvimento da cadeia energética.
Programas sociais e Amazônia
Jennifer Simons também pediu para conhecer programas sociais brasileiros. A presidente visitará um Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em Brasília.
A agenda inclui ainda visita à Embrapa Cerrados, onde conhecerá projetos de agricultura tropical e melhoramento genético.
Na área do turismo, Brasil e Suriname iniciaram negociações para um memorando de cooperação voltado a ecoturismo, financiamento do setor e aumento da conectividade aérea.
Dados do Ministério do Turismo mostram crescimento de 30,6% na entrada de turistas do Suriname no Brasil entre janeiro e abril de 2026.
O governo brasileiro também aproveitou a ida da aeronave oficial ao Suriname para enviar vacinas e medicamentos ao país vizinho como parte da cooperação humanitária regional.
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