Dos 39 candidatos que incorporaram referências a outras pessoas no nome de urna nas eleições de 2026, apenas oito conquistaram mandatos. A maioria citou familiares, como pais, maridos e mães. O levantamento foi feito pelo g1 com base nos registros do TSE.
Um levantamento do g1, com base nas candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou que a maioria dos candidatos que usaram nomes de parentes ou aliados políticos no nome de urna não conseguiu se eleger nas eleições de 2026. Dos 39 candidatos identificados, apenas oito foram eleitos, enquanto 31 ficaram de fora.
A prática de incorporar referências a outras pessoas no nome de urna é comum em campanhas eleitorais, mas os números mostram que a estratégia não garante sucesso nas urnas. O levantamento considerou candidatos que fizeram menção a familiares, aliados políticos ou outras pessoas em seus nomes de campanha.
Estratégia não garante vitória
Dos 39 candidatos analisados, 32 faziam referência a familiares e dois a aliados políticos. Em outros cinco casos, não foi possível confirmar a relação entre o candidato e a pessoa citada no nome de urna. Entre os 32 casos de parentesco identificados, 14 candidatos mencionam os pais; 11 candidatas, os maridos; três, os filhos; e três, as mães. Em um caso, não foi possível determinar se a referência era ao pai ou à mãe.
Dezesseis candidatos fizeram isso pela primeira vez neste ano, enquanto os demais já haviam adotado a estratégia em eleições anteriores. Apesar da recorrência, o resultado eleitoral mostra que a associação a nomes conhecidos não é suficiente para garantir um mandato.
Quem foram os eleitos
Entre os oito vencedores, sete já tinham trajetória política antes da eleição. Ícaro de Valmir (Republicanos-SE) foi reeleito deputado federal por Sergipe. Ele é filho de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que também faz referência ao seu pai no nome de urna, e foi candidato ao governo do estado, mas perdeu a disputa para o atual governador Fábio Mitidieri (PSD).
No mesmo estado, Ibrain de Valmir, filho da liderança política Valmir Monteiro, foi reeleito deputado estadual. Em Pernambuco, João de Nadegi, filho da ex-prefeita de Camaragibe Nadegi Queiroz, também conseguiu a reeleição para deputado estadual.
Já na Bahia, Hassan de Zé Cocá foi reeleito deputado estadual. Diferentemente da maior parte dos casos do levantamento, a referência em seu nome não é a um parente, mas ao aliado político Zenildo Brandão Santana, o Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié. No Rio de Janeiro, o ex-secretário municipal de Belford Roxo, Leandro do Waguinho (MDB-RJ), foi eleito deputado estadual. Ele também usou o nome de um aliado político, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, ex-prefeito do município.
No Ceará, Davi de Raimundão, filho de Raimundo Macedo, ex-prefeito de Juazeiro do Norte e ex-deputado, foi reeleito deputado estadual. Completa a lista de eleitos Paulinho do Bonifácio, eleito deputado estadual no Tocantins. Ele já tinha trajetória política e faz referência no nome de urna ao pai, José Bonifácio, que foi uma liderança política no norte do Tocantins.
Única estreante eleita
A única estreante entre os eleitos que usaram a estratégia de usar os nomes de outras pessoas é Marina JHC (PSDB-AL), esposa de João Henrique Caldas, o JHC, governador eleito de Alagoas. Ela conquistou uma vaga no Senado. Marina não tinha mandato eletivo anterior, mas sua ligação familiar com o governador eleito pode ter influenciado o eleitorado.
Derrotas de candidatos experientes
No Rio de Janeiro, dois nomes com experiência em cargos eletivos ficaram de fora. Daniela do Waguinho (Republicanos) não se reelegeu deputada federal. Ela usou o apelido do marido, ex-prefeito de Belford Roxo. O mesmo aconteceu com a ex-prefeita Lívia de Chiquinho (Republicanos), ex-prefeita de Araruama, candidata a deputada federal. Ela fez referência ao marido, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, também ex-prefeito do município.
Além de Valmir de Francisquinho, que perdeu a disputa para o governo de Sergipe, Sérgio de Nalva (Avante), que foi secretário de Serviços Públicos de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, também não se elegeu. No nome de urna, ele faz referência à mãe, Nalva, dona de uma loja no município.
Padrões nas referências
Nos cinco casos em que o vínculo não pôde ser confirmado, os nomes têm características de possíveis patronímicos — nomes formados a partir da referência a um antepassado. Das 11 candidatas que fazem referência ao marido, dez usam as preposições “de” ou “do”, construções que remetem à ideia de posse.
O levantamento do g1 mostra que, embora a prática seja comum, o sucesso eleitoral depende de outros fatores, como a trajetória política do candidato e a força do nome citado. A maioria dos eleitos já possuía mandato ou experiência política anterior, o que sugere que a referência a terceiros funciona mais como reforço de uma marca já estabelecida do que como atalho para novos candidatos.
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Créditos Autor: Redação BnT
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