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Friedrich Merz enfrenta crescente pressão após derrotas expressivas em eleições regionais na Alemanha. A CDU ficou fora da assembleia de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e perdeu em Berlim para a esquerda radical. O chanceler tenta consolidar sua posição e promete seguir com reformas.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, se prepara nesta segunda-feira (noite de domingo, 20, em Brasília) para tentar convencer o país de que ainda tem capacidade de governar após sofrer, na véspera, derrotas expressivas em eleições regionais para a extrema direita e a esquerda radical.

Seu partido conservador, a CDU (União Democrata-Cristã), ficou fora da assembleia regional de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, por não ter alcançado sequer 5% dos votos. O partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, venceu na região com 38% dos votos, embora uma aliança de esquerda pareça estar em melhor posição para formar governo.

Derrotas em série abalam liderança de Merz

Em Berlim, a esquerda radical Die Linke liderou com 25% dos votos, à frente da CDU, que obteve 20%. A AfD também teve uma votação expressiva, com 15%. As duas derrotas se somam à sofrida em 6 de setembro para a AfD no estado oriental da Saxônia-Anhalt, o que desencadeou especulações sobre uma possível saída antecipada do chanceler.

Na noite de domingo, Merz tentou encerrar as discussões sobre seu futuro político ao afirmar que continua como “presidente da CDU” e como “chanceler”. Ele prometeu seguir com sua agenda de reformas para reativar uma economia estagnada pela falta de inovação, pela concorrência chinesa e pela alta dos preços da energia provocada pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Reformas travadas e rejeição recorde

Mas a implementação dessas reformas está travada por divergências com seu parceiro de coalizão, o Partido Social-Democrata (SPD), e por disputas internas na CDU. Nesta segunda-feira, Merz deve analisar com a direção de seu partido o “desastre”, como ele próprio definiu, sofrido em Mecklemburgo. O chanceler, de 70 anos e há apenas 16 meses no poder, enfrenta uma rejeição de 90% nas pesquisas.

A rejeição de outros partidos à AfD, simpatizante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente da Rússia, Vladimir Putin, dificulta a formação de alianças para governar os estados onde o partido venceu. O chanceler insistiu, neste domingo, que suas reformas são “o antídoto contra o veneno do autoritarismo”, numa referência à AfD, acusada de conivência com setores neonazistas.

AfD lidera pesquisas nacionais

Merz costuma destacar os êxitos de seu governo na área migratória, mas, até agora, os eleitores que passaram a apoiar a AfD não voltaram para a CDU. Pelo contrário, a AfD lidera as pesquisas nacionais com cerca de 30% das intenções de voto, aproximadamente 10 pontos à frente da CDU, e seus dirigentes afirmam ser “a principal força” política da Alemanha.

Outra dificuldade para Merz será chegar a um acordo sobre uma agenda de trabalho com seus aliados social-democratas, também muito impopulares. As relações entre os dois partidos são difíceis nesse casamento de conveniência formado para governar após as eleições legislativas de 2025.

Tentativa de consolidar posição

A declaração à televisão pública alemã, algo incomum em eleições regionais, teve o objetivo de consolidar sua posição, afirmou o cientista político Oliver Lembcke à AFP. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de “governar na defensiva, de impedir que se desencadeie um debate sobre sua pessoa”.

O cenário político alemão permanece incerto, com o chanceler buscando reafirmar sua liderança em meio a uma oposição crescente e a insatisfação popular. Os próximos passos de Merz serão decisivos para o futuro de seu governo e da CDU.

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Créditos Autor: Redação BnT
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