Metade dos brasileiros que declaram não ter religião está desconfortável com a polarização política no país, segundo um recorte da pesquisa BTG/Nexus. O levantamento mostra diferenças importantes entre grupos religiosos diante da disputa eleitoral e indica que o desgaste com a divisão ideológica é maior justamente entre os eleitores sem vínculo religioso.

Entre os entrevistados que afirmam não ter religião, 50% dizem estar saturados com a polarização política. Apenas 11% afirmam estar confortáveis com o cenário atual, enquanto 18% avaliam que a polarização não interfere em sua percepção da eleição.

Outros 13% se dizem indiferentes e 8% não responderam.

O recorte chama atenção porque o eleitorado sem religião também aparece como um segmento relevante nas pesquisas eleitorais. Em levantamento BTG/Nexus realizado em julho, por exemplo, Lula registrou 50% das intenções de voto entre essas pessoas, contra 26% de Flávio Bolsonaro.

Evangélicos demonstram maior tolerância

Entre os evangélicos, o cenário é diferente. Segundo o recorte apresentado pela Nexus, 36% afirmam estar cansados da divisão política, percentual inferior aos 50% registrados entre os eleitores sem religião.

Ao mesmo tempo, 26% dos evangélicos afirmam que a polarização não influenciará sua escolha eleitoral, o maior percentual entre os grupos religiosos analisados. Outros 15% dizem estar confortáveis com o cenário político, enquanto 13% se mostram indiferentes e 11% não responderam.

O comportamento eleitoral desse segmento também tem sido acompanhado de perto nas pesquisas presidenciais. Em levantamento BTG/Nexus de julho, Flávio Bolsonaro aparecia com 50% das intenções de voto entre evangélicos, enquanto Lula registrava 28%. Entre os católicos, o cenário era inverso, com 49% para Lula e 27% para Flávio.

Católicos apresentam rejeição menor à polarização

Entre os católicos, 33% afirmam estar saturados com a polarização política. O percentual dos que se dizem confortáveis com a divisão ideológica chega a 18%.

Já 25% entendem que a polarização não interfere na escolha do candidato, índice próximo ao registrado entre os evangélicos.

O levantamento mostra, portanto, diferenças significativas na maneira como os grupos religiosos percebem a atual divisão política brasileira.

Eleitores sem religião buscam menor confrontação

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o comportamento dos eleitores sem religião está relacionado a uma menor identificação com estruturas tradicionais de mobilização política e ideológica.

Na avaliação do executivo, esse eleitorado tende a buscar uma postura menos confrontativa por não estar necessariamente vinculado aos principais blocos de pautas de costumes ou identitárias.

O grupo também tem relevância eleitoral. Na pesquisa BTG/Nexus de julho, os eleitores sem religião formaram um dos segmentos em que Lula apresentou maior vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Outras religiões têm 40% de saturação

Entre os brasileiros que declararam pertencer a religiões diferentes do catolicismo e do segmento evangélico, 40% afirmam estar saturados com a polarização política.

O resultado reforça a existência de diferenças no comportamento do eleitorado conforme a identificação religiosa, em um momento no qual a disputa presidencial de 2026 permanece marcada pela forte divisão entre os principais campos políticos.

A pesquisa BTG/Nexus tem mostrado que religião é uma das variáveis relevantes para compreender a distribuição das intenções de voto. No levantamento realizado entre 24 e 26 de julho, o instituto entrevistou 2.004 eleitores por telefone, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no TSE sob o número BR-01489/2026.

O novo recorte acrescenta outro elemento à disputa desse ano, o possível desgaste de parte do eleitorado com a polarização. Entre os sem religião, esse sentimento alcança metade dos entrevistados, enquanto os evangélicos demonstram maior tolerância à divisão política.

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