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A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, chamou a atenção para o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal. A artista morreu em 18 de outubro de 2026, e a informação de que tratava a doença foi confirmada por sua tia, Maria Cândida Ribeiro, em entrevista à CNN Brasil. Inicialmente, o comunicado divulgado pela família informou que Lua enfrentava um câncer, mas não especificou o tipo.

Conhecida nacionalmente por interpretar Roberta Messi na novela Rebelde, Lua teve sua morte repercutida nas redes sociais e na imprensa. Além disso, a notícia voltou a colocar em evidência a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer colorretal, que também atingiu outras personalidades conhecidas, como a cantora Preta Gil, que morreu aos 50 anos, em julho de 2025, e o ator Chadwick Boseman, que morreu aos 43 anos, em 2020.

No Brasil, a doença representa um importante desafio para a saúde pública. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio de 2026 a 2028.

Diante desse cenário, reconhecer os sinais de alerta, conhecer os fatores de risco e seguir as orientações de rastreamento são medidas importantes. Embora a idade seja um dos fatores associados à doença, o câncer colorretal também pode afetar pessoas mais jovens. Por isso, a atenção aos sintomas e a procura por avaliação médica não devem depender exclusivamente da faixa etária.

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Câncer colorretal também preocupa pessoas mais jovens

O câncer colorretal é um tumor que se desenvolve no intestino grosso, estrutura que compreende o cólon e o reto. Em muitos casos, a doença começa com alterações nas células da mucosa intestinal. Algumas dessas lesões podem formar pólipos, que são crescimentos anormais na parede do intestino.

Nem todos os pólipos se transformam em câncer. No entanto, determinados tipos podem evoluir para tumores malignos ao longo do tempo. Por esse motivo, identificar e retirar essas lesões quando indicado é uma das estratégias utilizadas para prevenir a doença.

Embora o risco aumente com o avanço da idade, os casos em adultos jovens também despertam preocupação. A ocorrência da doença nessa população reforça a importância de não ignorar alterações persistentes no organismo, mesmo quando a pessoa ainda não chegou à idade habitual de rastreamento.

A gastroenterologista Luciana Leal, do Itaigara Memorial Gastro-Hepato Endoscopia, chama a atenção para o crescimento da incidência entre pessoas mais jovens.

“Desde a década de 1990, a incidência na faixa dos 20 aos 49 anos vem aumentando entre 2% e 4% ao ano em diversos países. Em pessoas com menos de 30 anos, esse crescimento é ainda mais expressivo. Enquanto a mortalidade acima dos 50 anos vem diminuindo graças ao rastreamento por colonoscopia, entre os mais jovens ocorre o contrário”, explica.

O alerta da especialista reforça a necessidade de ampliar a atenção aos sinais da doença. Entretanto, apresentar sintomas intestinais não significa necessariamente ter câncer colorretal. Alterações semelhantes podem estar relacionadas a diferentes condições de saúde, o que torna a avaliação médica fundamental para esclarecer a causa.

Além da idade, o histórico familiar também merece atenção. Pessoas que têm parentes próximos diagnosticados com câncer colorretal podem precisar de acompanhamento específico, sobretudo quando os casos ocorreram em idades mais jovens. Nessas situações, o profissional de saúde pode avaliar a necessidade de antecipar os exames ou adotar outras estratégias de acompanhamento.

Alterações intestinais e sangue nas fezes estão entre os sinais de alerta

Os sintomas do câncer colorretal variam conforme a localização e o estágio da doença. Em algumas situações, as manifestações podem ser discretas, aparecer gradualmente ou ser confundidas com problemas intestinais comuns.

Entre os principais sinais de alerta estão as alterações persistentes no funcionamento do intestino, como episódios frequentes de diarreia ou prisão de ventre. Além disso, a presença de sangue nas fezes, mesmo em pequenas quantidades, exige atenção e investigação médica.

Outros sintomas também podem ocorrer durante o desenvolvimento da doença. Entre eles, estão:

  • Sangue nas fezes: pode aparecer de forma visível ou estar presente em pequenas quantidades, sem ser percebido a olho nu.
  • Alterações persistentes no hábito intestinal: mudanças no padrão habitual de evacuação, como diarreia ou constipação que não melhoram.
  • Dores abdominais frequentes: desconforto, cólicas ou dores recorrentes sem causa esclarecida.
  • Anemia e fraqueza: podem estar relacionadas à perda de sangue, inclusive quando ela não é facilmente identificada.
  • Perda de peso sem motivo aparente: emagrecimento involuntário que não está associado a mudanças intencionais na alimentação ou na rotina.

A presença desses sinais não confirma o diagnóstico de câncer. Entretanto, quando eles persistem, voltam a aparecer ou surgem em conjunto, é importante procurar atendimento médico para investigar a causa.

Também é necessário considerar que o câncer colorretal pode não provocar sintomas evidentes nas fases iniciais. Por isso, esperar o aparecimento de manifestações para procurar orientação não é a estratégia mais adequada para pessoas que já se enquadram nos critérios de rastreamento.

Outro ponto importante é a diferença entre rastreamento e investigação diagnóstica. O rastreamento é direcionado a pessoas sem sintomas, conforme a idade e os fatores de risco considerados nas recomendações de saúde. Já quem apresenta sangue nas fezes, dores recorrentes ou mudanças persistentes no funcionamento intestinal precisa de avaliação médica, independentemente da idade.

Dessa forma, reconhecer os sinais e procurar atendimento oportunamente pode contribuir para identificar a causa das alterações e iniciar o tratamento adequado, quando necessário.

Histórico familiar pode influenciar a necessidade de acompanhamento

O histórico familiar é um dos fatores que devem ser considerados na avaliação do risco de câncer colorretal. Quando há casos da doença entre parentes próximos, especialmente em idades mais jovens, o profissional de saúde pode recomendar uma investigação individualizada.

Isso acontece porque algumas pessoas apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de tumores colorretais. Em determinadas famílias, essa predisposição pode estar relacionada a alterações genéticas hereditárias. Entretanto, nem todo caso familiar significa que existe uma síndrome genética.

Além disso, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como idade, alimentação, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e excesso de peso. A presença de um ou mais desses fatores não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá câncer, mas pode influenciar a avaliação do risco.

Por esse motivo, durante uma consulta, é importante informar ao médico se há parentes diagnosticados com câncer de intestino, em que idade receberam o diagnóstico e se existem outros casos de tumores na família. Essas informações ajudam a definir o acompanhamento mais adequado.

Quando há suspeita de maior predisposição, o rastreamento pode começar antes da idade habitualmente recomendada para a população geral. No entanto, a decisão deve considerar o histórico individual e familiar, além das orientações clínicas aplicáveis a cada situação.

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Rastreamento ajuda a identificar alterações antes dos sintomas

O rastreamento do câncer colorretal tem como objetivo identificar sinais da doença ou lesões precursoras em pessoas que ainda não apresentam sintomas. Dessa maneira, os profissionais de saúde podem investigar alterações antes que elas evoluam ou provoquem manifestações clínicas.

A gastroenterologista Luciana Leal recomenda que a avaliação para rastreamento comece aos 45 anos ou antes, quando há histórico familiar, conforme a avaliação médica. A indicação, contudo, deve considerar as características de cada paciente e os fatores que podem aumentar o risco de desenvolver a doença.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o Inca divulgou, em 2026, a incorporação do teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, para o rastreamento de pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. Conforme a orientação divulgada pelo instituto, o exame deve ser realizado a cada dois anos nessa população.

A recomendação do SUS para o FIT deve ser diferenciada da orientação individual da especialista sobre começar a avaliação aos 45 anos. São referências que precisam ser compreendidas dentro de seus respectivos contextos. Portanto, a indicação de exames deve seguir as orientações dos serviços de saúde e a avaliação profissional.

O teste imunoquímico fecal procura pequenas quantidades de sangue nas fezes que podem não ser percebidas visualmente. A coleta é feita em casa e, segundo o Inca, não exige preparo intestinal ou dieta restritiva.

Apesar da praticidade, o FIT não confirma sozinho a presença de câncer. Um resultado positivo indica a necessidade de investigação complementar, que pode incluir a colonoscopia. Por outro lado, o exame não deve ser usado como substituto da avaliação clínica de quem já apresenta sintomas suspeitos.

Quem deseja saber se pode realizar o rastreamento pelo SUS deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe poderá orientar sobre os critérios de indicação, a disponibilidade do exame e os próximos passos, conforme o resultado.

Colonoscopia permite identificar lesões e retirar pólipos

A colonoscopia é um dos principais exames utilizados para investigar alterações no intestino grosso. O procedimento permite que o médico observe a parte interna do cólon e do reto por meio de um aparelho flexível equipado com uma câmera.

Durante o exame, o profissional pode identificar lesões, alterações na mucosa e pólipos. Quando indicado, também é possível retirar essas formações e encaminhar o material para análise laboratorial. Dessa maneira, a colonoscopia pode contribuir tanto para a prevenção quanto para a investigação de possíveis tumores.

A retirada dos pólipos merece atenção porque algumas dessas lesões podem evoluir para câncer ao longo do tempo. Entretanto, nem todo pólipo apresenta esse risco. A decisão de removê-lo e a necessidade de acompanhamento posterior dependem das características identificadas durante o procedimento e dos resultados da análise.

Luciana Leal destaca a importância da colonoscopia para a prevenção e o diagnóstico precoce.

“A retirada imediata desses pólipos é uma forma de prevenção ativa, pois impede que evoluam para um tumor. Além disso, a colonoscopia possibilita diagnosticar o câncer ainda em estágio inicial, aumentando significativamente as chances de cura”, afirma Luciana.

Além de identificar lesões, o exame permite investigar alterações que podem estar relacionadas a sintomas como sangramento nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal e anemia sem causa esclarecida. Nessas situações, a indicação ocorre como parte da investigação diagnóstica, e não apenas como rastreamento.

A necessidade de realizar uma colonoscopia e a frequência de repetição variam conforme a idade, os fatores de risco, o histórico pessoal e familiar e os resultados de exames anteriores. Portanto, a decisão deve ser tomada com orientação médica, considerando as particularidades de cada paciente.

Alimentação e atividade física fazem parte da prevenção

Embora não seja possível evitar todos os casos de câncer colorretal, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco. Entre elas estão a adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e a redução da exposição a fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Uma das recomendações é priorizar alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais. Esses alimentos contribuem para uma alimentação variada e equilibrada e favorecem o funcionamento intestinal.

Por outro lado, é importante reduzir o consumo de carnes processadas, como salsicha, presunto, linguiça e bacon. Esses produtos estão associados ao aumento do risco de câncer colorretal. Também é recomendado limitar o consumo de alimentos ultraprocessados e manter uma rotina alimentar equilibrada.

A atividade física regular é outra medida importante. Além de contribuir para a saúde geral, movimentar o corpo ajuda no controle do peso e faz parte das recomendações de prevenção de diferentes doenças crônicas.

Manter um peso saudável também merece atenção. O excesso de peso e a obesidade estão associados a maior risco de diversos problemas de saúde, incluindo o câncer colorretal. Quando necessário, o acompanhamento profissional pode ajudar na construção de hábitos sustentáveis.

Outras medidas incluem evitar o tabagismo e evitar ou moderar o consumo de bebidas alcoólicas. A adoção dessas práticas, em conjunto com uma alimentação adequada e a atividade física, contribui para uma rotina mais saudável.

Entre as principais recomendações para reduzir fatores de risco, estão:

  • Priorizar frutas, verduras, legumes e outros alimentos ricos em fibras.
  • Reduzir o consumo de carnes processadas.
  • Limitar alimentos ultraprocessados.
  • Praticar atividade física regularmente, de acordo com as condições individuais.
  • Manter um peso saudável.
  • Evitar o tabagismo.
  • Evitar ou moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Seguir as recomendações de rastreamento conforme a idade e os fatores de risco.

Essas medidas não garantem que a doença não se desenvolverá. Ainda assim, fazem parte das estratégias de prevenção e devem ser associadas à atenção aos sintomas e ao acompanhamento recomendado pelos profissionais de saúde.

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Diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento

Identificar o câncer colorretal em uma fase inicial pode ampliar as possibilidades de tratamento. Por isso, o reconhecimento dos sintomas, o acesso aos exames e a realização do rastreamento indicado são aspectos importantes para enfrentar a doença.

No entanto, a ausência de sintomas não significa que o câncer esteja descartado. Algumas alterações podem permanecer silenciosas, o que reforça a importância de seguir as recomendações de rastreamento para a população indicada.

Da mesma forma, pessoas que apresentam sinais suspeitos não devem esperar chegar à idade de rastreamento para procurar atendimento. Sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento intestinal, dores abdominais frequentes, anemia e perda de peso sem explicação precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Quem tem histórico familiar também deve compartilhar essa informação durante as consultas. A partir dela, o médico poderá avaliar a necessidade de acompanhamento antecipado ou de exames específicos.

Diante da estimativa de 53.810 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028, a conscientização sobre o câncer colorretal permanece fundamental. Conhecer os sinais de alerta, adotar hábitos saudáveis e buscar orientação médica são medidas importantes para a prevenção e a identificação oportuna da doença.

 

 

 

 

 

 

 

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