O Ministério Público Eleitoral questionou a validade de pelo menos 42 candidaturas em 10 estados brasileiros em razão de vínculo dos políticos com o crime organizado. Do total, 22 tiveram o registro barrado por decisão da Justiça Eleitoral ou renunciaram.
A maioria, no entanto, ainda aguarda o julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral. Quatro casos chegaram a ter a candidatura liberada, mas o MP Eleitoral questiona a decisão no TSE.
Entre as candidaturas questionadas: 26 casos são do Rio de Janeiro, mas há também na Paraíba (4), São Paulo (3), Acre (2), Mato Grosso do Sul (2), Amapá (1), Bahia (1), Minas Gerais (1), Goiás (1) e Rio Grande do Norte (1). Em relação aos cargos, a maioria concorreu a deputado estadual (22) e federal (16). Há também questionamentos em relação a candidaturas para senador e suplente e governador.
O TSE tem atuado, desde 2024, para impedir que pessoas ligadas a facções criminosas participem das eleições. As decisões foram tomadas após pedidos feitos pelo Ministério Público com base na Constituição Federal, que proíbe o uso de organizações paramilitares por partidos políticos. Para o MP Eleitoral, o dispositivo impede que grupos criminosos utilizem partidos e candidatos para ampliarem sua influência política, mesmo quando não há condenação criminal.
Candidatos eleitos
Entre os candidatos questionados pelo MP Eleitoral, alguns tiveram o registro validado pela Justiça e foram eleitos no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas ainda aguardam o julgamento de recursos questionando a decisão. É o caso de Márcio Canella (União), segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro. Ele foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que apura esquema criminoso de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado.
Embora o registro do político tenha sido validado pelo TRE-RJ, o Ministério Público pediu ao TSE que reforme a decisão. Em parecer enviado à Corte, o vice-PGE sustenta haver indícios suficientes da ligação do político com milícias do estado. O caso ainda aguarda julgamento.
O MP Eleitoral também recorreu ao TSE para barrar a candidatura de Ney Santos (Republicanos) a deputado federal por São Paulo. Ele responde a uma ação penal em que é acusado de comandar organização criminosa e de lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Além disso, nas eleições de 2016, o político foi condenado por abuso de poder econômico, relacionado ao financiamento ilícito de campanha. O MP Eleitoral sustenta no TSE que não é necessário haver condenação criminal colegiada ou definitiva para impedir o registro, bastando a existência de provas robustas de vínculo com o crime organizado. O recurso ainda será julgado pelo TSE.
Créditos Autor: Ana Luiza Basilio
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