Candidato derrotado nas eleições deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu não ter provas de fraude nas urnas no pleito, mas voltou a adotar tom golpista e lançar questionamentos infundados sobre a vitória de Lula (PT). No último dia 25, o presidente foi reeleito por uma diferença de mais de 4 milhões de votos.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira 6, concedida em Miami, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que nunca terá evidências porque, segundo ele, é proibido investigar o assunto no Brasil. Não apresentou, porém, elementos que sustentem a alegação de manipulação dos votos.

“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei. Isso não é permitido na legislação brasileira, se fosse a chapa do Flávio Bolsonaro, estava cassada”, disse. O filho ’01’ está desde a última semana nos Estados Unidos após fugir, via Argentina, das autoridades brasileiras.

O senador afirmou ainda que não pode reconhecer “com 100% de certeza” a vitória de Lula nem considerar que ele próprio foi derrotado. Disse ter “ressalvas, motivos e indícios” para desconfiar das duas horas de prorrogação da votação no segundo turno, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, após problemas no transporte de eleitores na Bahia,

Flávio, no entanto, descartou a possibilidade de contestar judicialmente a contagem dos votos.

Na verdade, a própria campanha do PL ter pedido a extensão do horário de votação, assim como o PT. A medida foi aplicada nacionalmente, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão não provocou alterações na totalização dos votos.

Flávio também questionou o crescimento da votação de Lula entre os dois turnos, especialmente em estados onde o PL venceu a disputa para governador e elegeu senadores.

“Qual a garantia que tenho que não venci a eleição no primeiro turno?”, perguntou. Lula, no entanto, ampliou sua votação em 10,3 milhões de votos no segundo turno, enquanto Flávio recebeu 3,7 milhões a mais. O número de eleitores que compareceram às urnas também aumentou, e houve redução dos votos brancos e nulos.

O senador ainda tentou atribuir a críticas públicas de aliados à sua carta de autoproclamação como presidente eleito a um suposto temor de se manifestarem contra o resultado.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), Rogério Marinho (PL-RN) e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, haviam criticado a iniciativa. “Todos, no fundo, desconfiam do resultado da eleição, mas têm medo de falar”, comentou Flávio.

Créditos Autor: Wendal Carmo
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