O jornalista e criador de conteúdo digital da extrema-direita, Paulo Figueiredo, voltou a gerar repercussão após atacar profissionais da imprensa durante uma transmissão ao vivo na noite de terça-feira (28). Na live, ele afirmou que jornalistas seriam “putas pagas” com recursos públicos de publicidade estatal, classificou a profissão como pior que a prostituição e direcionou ofensas a comentaristas e veículos de comunicação. Nesta quarta-feira (29), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj divulgaram uma nota de repúdio às declarações.
Figueiredo disse que preferiria que suas filhas o apresentassem como “gigolô” a jornalista. Em seguida, afirmou: “Quando eu digo que os jornalistas são putas, pagas para dizerem o que estão dizendo, pagos regiamente, eu não tô falando metaforicamente”. Logo depois, ampliou a acusação ao declarar: “Todas essas caras que você vê comentando na Globo News são putas recebendo dinheiro do governo Lula”.
Ao longo da transmissão, o criador de conteúdo sustentou que veículos de comunicação e jornalistas dependeriam de verbas de publicidade estatal para continuar atuando. Segundo ele, sem esses recursos, profissionais estariam desempregados ou fora do mercado.
Durante a live, Paulo retomou uma declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que disse que a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada por ser feia, e adaptou a fala para atacar a jornalista Míriam Leitão, a quem chamou de “Míriam Leitoa”. Em seguida, afirmou: “Não fossem esse dinheiro do governo Lula, elas estariam desempregadas, elas estariam catando lixo na rua, ou se prostituindo, algumas talvez tenham até aparência para se prostituir, outras não, não vou citar aqui nomes, mas tenho dificuldade de imaginar se, por exemplo, a Miriam Leitoa, caso não tivesse uma teta pra mamar na Globo, tenho dúvidas se haveria demanda caso se prostituísse. É mais uma que não merece ser estuprada, como todas as outras não merecem, mas essas talvez um pouco mais. Eu tenho desprezo por essas pessoas.” Durante a fala, o Figueiredo fez uma pausa e sorriu.
Na nota conjunta, o SJPDF, a Fenaj e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas classificaram as declarações como misóginas, criminosas e ofensivas à liberdade de imprensa. As entidades afirmaram que “a gravidade dessa fala não pode ser minimizada” e lembraram que a referência feita a Míriam reproduz uma manifestação que já resultou na condenação judicial de Bolsonaro.
O comunicado também destacou que a jornalista foi presa e torturada durante a ditadura militar quando estava grávida, circunstância que, segundo as entidades, torna o episódio ainda mais grave. “Atacar Miriam Leitão com essa referência criminosa ao estupro, portanto, não é apenas misoginia; é um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil”, registrou a nota. O documento conclui afirmando: “Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes”, além de defender a responsabilização de Paulo Figueiredo.
Créditos Autor: Wandel Cerqueira
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