Um marcador obtido por meio de um exame de sangue pode ajudar na avaliação do prognóstico de pacientes críticos. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa que analisou 6.703 pacientes internados em uma UTI especializada em doenças gastrointestinais.
Os pesquisadores acompanharam os pacientes entre janeiro de 2016 e dezembro de 2023. O estudo contou com profissionais do Hospital Português (HP) e pesquisadores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Além disso, a equipe da UTI 3, o Centro de Estudos e a Medicina Laboratorial do Hospital Português também apoiaram o trabalho.
A pesquisa foi publicada em agosto na revista Arquivos de Gastroenterologia. O artigo recebeu o título Impacto dos marcadores inflamatórios leucocitários nos desfechos de pacientes críticos com doenças gastrointestinais.
Estudo analisou marcadores no hemograma
Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram informações do hemograma feito na admissão dos pacientes na UTI. O exame permitiu avaliar três marcadores inflamatórios derivados das células do sangue.
Entre eles estavam a relação neutrófilo-linfócito (RNL), a relação monócito-linfócito (RML) e o índice sistêmico de inflamação imune (ISI).
A equipe então verificou a relação entre os níveis desses marcadores e diferentes desfechos clínicos. Entre eles estavam insuficiências orgânicas, sepse e mortalidade hospitalar.
Marcadores aparecem ligados a quadros graves
Os resultados mostraram uma associação entre níveis mais elevados de RNL, RML e ISI e a ocorrência de sepse e insuficiência circulatória.
Além disso, a RNL e o ISI apresentaram associação com insuficiência renal e respiratória.
Os três indicadores também apresentaram relação com a mortalidade hospitalar. No entanto, uma análise estatística mais detalhada trouxe um resultado de destaque.
Nesse momento da pesquisa, a RNL foi o único marcador que manteve associação independente com insuficiência circulatória, insuficiência respiratória e maior risco de morte.
RNL se destaca na avaliação dos pacientes
Os pacientes que apresentaram níveis mais elevados de RNL na admissão tiveram maior risco de apresentar desfechos desfavoráveis durante a internação.
A relação neutrófilo-linfócito utiliza informações das células presentes no sangue. Por isso, os pesquisadores apontam o indicador como uma ferramenta simples e de baixo custo para auxiliar na avaliação do prognóstico de pacientes críticos.
Ainda assim, os resultados mostram associações estatísticas. Portanto, o estudo não afirma que níveis elevados de RNL causem as complicações ou a mortalidade observadas entre os pacientes.
Participação do Hospital Português
O estudo reuniu pesquisadores de diferentes áreas e instituições. Pelo Hospital Português, participaram Liana Codes, Cláudio Celestino Zollinger, Paulo Lisboa Bittencourt, Fernanda Sales e Anna Clara Rios Rocha.
A pesquisa também contou com o apoio da equipe da UTI 3, do Centro de Estudos e da Medicina Laboratorial do HP, além de pesquisadores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Para Paulo L. Bittencourt, a produção científica também reforça a participação de profissionais que atuam diretamente na assistência aos pacientes críticos.
“Estudos como esse reforçam a importância da participação do HP na produção científica, em especial por envolver profissionais que atuam diretamente na assistência a pacientes críticos”, finaliza o Dr. Paulo L. Bittencourt.
O artigo científico está disponível na revista Arquivos de Gastroenterologia. Acesse o estudo completo no SciELO
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