CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Se a eleição para o Senado fosse realizada hoje, 10 de setembro, e os resultados das pesquisas mais recentes registradas na Justiça Eleitoral se transformassem diretamente em votos, o PL chegaria a 2027 como a principal força organizada da oposição ao governo Lula (PT) – se este for reeleito. O partido teria 20 cadeiras, somando os nomes que aparecem à frente nas 54 vagas em disputa aos nove senadores do PL que já têm mandato até 2031.

A bancada poderia chegar a esse número se Bia Kicis (PL) confirmar a segunda vaga no Distrito Federal. Ela aparece empatada com Leila do Vôlei (PDT) na pesquisa mais recente, que coloca Michelle Bolsonaro (PL) isolada na liderança, com 26%, e as duas com 17%. 

A fotografia também mostra o PT como uma das principais forças da nova composição. O partido teria 11 senadores a partir de 2027. Três que já têm mandato até 2031 e oito que aparecem atualmente em posição de conquistar uma das 54 cadeiras em disputa.

O resultado, porém, não produziria uma Casa dividida simplesmente entre governo e oposição. O MDB seria a maior bancada projetada entre os partidos que não estão claramente identificados com nenhum dos dois polos, com 12 cadeiras, enquanto Republicanos, PSD, União Brasil e PP também teriam bancadas relevantes. Para Lula, caso seja reeleito, a tarefa seria construir uma maioria a partir desse centro político.

A fotografia das 54 vagas

Considerando os dois nomes numericamente mais bem posicionados nas pesquisas mais recentes (leia a metodologia ao final do texto), a fotografia atual das vagas que serão renovadas em outubro é a seguinte:

  • Acre – Gladson Cameli (PP) e Jorge Viana (PT)*;
  • Alagoas – Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP);
  • Amapá – Rayssa Furlan (Podemos) e Randolfe Rodrigues (PT);
  • Amazonas – Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB);
  • Bahia – Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT);
  • Ceará – Cid Gomes (PSB) e Capitão Wagner (União)*;
  • Distrito Federal – Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)*;
  • Espírito Santo – Renato Casagrande (PSB) e Fabiano Contarato (PT);
  • Goiás – Gracinha Caiado (União) e Gustavo Gayer (PL);
  • Maranhão – Roseana Sarney (MDB) e Weverton (PDT);
  • Mato Grosso – Mauro Mendes (União) e Janaína Riva (MDB);
  • Mato Grosso do Sul – Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL);
  • Minas Gerais – Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB);
  • Pará – Helder Barbalho (MDB) e Éder Mauro (PL);
  • Paraíba – João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB);
  • Pernambuco – Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT);
  • Piauí – Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD);
  • Paraná – Deltan Dallagnol (Novo) e Alexandre Curi (Republicanos);
  • Rio de Janeiro – Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos);
  • Rio Grande do Norte – Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD);
  • Rondônia – Marcos Rogério (PL) e Confúcio Moura (MDB);
  • Roraima – Teresa Surita (MDB) e Nicoletti (PL);
  • Rio Grande do Sul – Marcel van Hattem (Novo) e Manuela d’Ávila (PSOL);
  • Santa Catarina – Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL);
  • Sergipe – Delegado Alessandro (MDB) e Delegado André David (Republicanos); 
  • São Paulo – Marina Silva (Rede) e Guilherme Derrite (PP)*;
  • Tocantins – Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB).

* Estados com disputa particularmente apertada ou empate técnico, nos quais a pesquisa não permite tratar a segunda vaga como definida.

No Acre, por exemplo, Gladson Cameli tem 38%, Jorge Viana 34% e Márcio Bittar (PL) 33%. Com margem de erro de 3,5 pontos, os três estão tecnicamente empatados na disputa pelas duas cadeiras. 

No Ceará, a Real Time Big Data coloca Cid Gomes com 27%, Capitão Wagner com 20% e Luizianne Lins (Rede) também com 20%. Como a margem é de dois pontos, a segunda vaga está aberta entre os dois.

No Paraná, a fotografia é igualmente competitiva. Deltan Dallagnol aparece com 30,8%, Alexandre Curi com 28,4%, Gleisi Hoffmann (PT) com 25,7% e Filipe Barros (PL) com 22,9%. 

Em São Paulo, a situação também é apertada. Marina Silva e Guilherme Derrite têm 14% cada, enquanto Simone Tebet (PSB) aparece com 12%.

As candidatas Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) em evento em São Paulo. Foto: Divulgação/Campanha Simone Tebet

PL chega forte

A principal característica da projeção é a força do PL. O partido teria 20 senadores, considerando as nove cadeiras que já possui com mandato até 2031 e outras 11 projetadas nas pesquisas.

Além de Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, o PL aparece entre os dois primeiros colocados em Estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Santa Catarina. A legenda também tem Eduardo Gomes entre os dois primeiros no Tocantins e Nicoletti em Roraima. Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar aparecem na dianteira; em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro e Carol De Toni lideram o levantamento considerado na projeção.

A concentração é relevante porque o partido já começa a disputa com nove senadores que permanecerão na Casa até 2031: Astronauta Marcos Pontes (SP), Efraim Filho (PB), Jaime Bagattoli (RO), Jorge Seif (SC), Magno Malta (ES), Rogério Marinho (RN), Sergio Moro (PR), Wellington Fagundes (MT) e Wilder Morais (GO). 

Michelle seria a principal novidade da bancada. Caso seja eleita, assumiria uma posição de destaque no Senado justamente no momento em que o bolsonarismo tenta transformar a Casa em um dos principais focos de pressão institucional sobre o Supremo Tribunal Federal.

Flávio Bolsonaro (RJ), por sua vez, não entra na projeção das 54 vagas porque disputa a Presidência da República. Seu mandato atual termina em janeiro de 2027. Se Lula vencer a eleição presidencial e Flávio perder, ele deixará o Senado no fim da atual legislatura e ficará sem mandato.

A presença de Michelle e de Carlos faria com que o sobrenome Bolsonaro continuasse diretamente representado na Casa, mas a bancada não dependeria apenas da família. A projeção mostra um grupo de senadores do PL distribuído por diferentes regiões e com uma agenda comum em temas como STF, segurança pública, costumes e oposição ao governo Lula.

Os ‘lulistas’

O PT teria 11 senadores na composição projetada, somando os oito nomes que aparecem atualmente à frente nas disputas de 2026 aos três que já têm mandato até 2031: Beto Faro (PA), Camilo Santana (CE) e Teresa Leitão (PE).

Entre os novos eleitos projetados estariam Jorge Viana, Randolfe Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner, Fabiano Contarato, Marília Campos, Humberto Costa e Benedita da Silva.

A força petista estaria concentrada sobretudo no Nordeste e em alguns estados estratégicos. Na Bahia, por exemplo, Rui Costa e Jaques Wagner aparecem nas duas primeiras posições. Em Pernambuco, Marília Arraes lidera, seguida por Humberto Costa.

No Piauí, outro Estado importante para a fotografia do Nordeste, a AtlasIntel coloca Marcelo Castro em primeiro, com 22%, Júlio César com 17% e Ciro Nogueira (PP) com 13%. 

Os candidatos ao Senado pelo PT da Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner. Foto: Ulisses Dumas/Campanha Jaques Wagner

Se forem agrupados PT, PSB, PDT, PSOL e Rede, o campo de centro-esquerda teria 19 cadeiras projetadas, antes de qualquer negociação com partidos de centro. Esse número não deve ser confundido com uma bancada governista automática. Cid Gomes, por exemplo, é do PSB, mas não se pode pressupor que todos os integrantes dessas legendas votarão de forma uniforme com Lula em 2027.

O Centrão seria, portanto, decisivo.

O MDB teria 12 cadeiras na fotografia, seguido por Republicanos, União Brasil e PP. São partidos com posições diferentes entre si e que podem formar maioria tanto com o governo quanto com a oposição, dependendo da pauta e da composição do Executivo.

O Senado será decisivo para o próximo governo

A importância da eleição para o Senado vai muito além da disputa partidária. A Casa terá papel central na agenda do próximo governo e, ao mesmo tempo, possui uma prerrogativa que ganhou peso excepcional em meio à crise no STF.

A Constituição estabelece que cabe privativamente ao Senado processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. O tema deixou de ser apenas uma discussão retórica da oposição. O ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, é alvo de 55 pedidos de impeachment que se arrastam desde 2021. O último deles foi protocolado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), em 2 de setembro, que conta com a anuência de outros 20 senadores.

Isso torna a composição do Senado particularmente relevante para o bolsonarismo. Uma bancada maior do PL teria mais capacidade de pressionar o presidente da Casa e organizar apoio a pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Para o governo, uma bancada mais próxima do centro-esquerda funcionaria como contrapeso a esse movimento.

Agenda econômica e social também passa pela Casa

A próxima legislatura ainda receberá uma agenda extensa de matérias com impacto direto sobre o governo e a vida cotidiana.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), definiu com Lula e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), as prioridades do Congresso para o segundo semestre. A lista inclui o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, a MP que trata da taxa das blusinhas, o Redata e o marco legal dos minerais críticos.

A PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6×1, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e aguarda análise no Plenário. Ela tem como relator Omar Aziz (PSD-AM). Já a PEC 18/2025, da Segurança Pública, também está na CCJ. Ambas as pautas devem ser votadas após o primeiro turno, ou seja, depois que a composição do Senado em 2027 já esteja consolidada. 

A taxa das blusinhas envolve a MP 1.357/2026, que zerou temporariamente o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até 50 dólares. O Redata, por sua vez, cria um regime especial de tributação para serviços de data centers, em uma tentativa de atrair investimentos para infraestrutura digital e inteligência artificial.

O Senado será, portanto, decisivo tanto para a agenda do eventual governo Lula quanto para a estratégia de oposição. A mesma Casa que poderá definir o destino de pedidos de impeachment de ministros do STF terá de votar mudanças nas relações de trabalho, segurança pública, tributação e investimentos em tecnologia.

Uma fotografia, não uma previsão

A projeção está longe de significar que as 54 cadeiras já estejam definidas. Historicamente, o eleitor decide o seu voto para o Senado na semana da eleição, o que torna esse cenário apenas uma fotografia do momento.

A eleição para a Casa Alta em 2026 também tem uma característica que torna as pesquisas particularmente voláteis: cada eleitor vota duas vezes, e os dois candidatos mais votados em cada Estado e no Distrito Federal são eleitos.

Há estados em que três ou quatro candidatos estão tecnicamente empatados. O quadro, portanto, deve ser lido como a composição que as urnas produziriam hoje, e não como uma previsão para 4 de outubro. O que a fotografia permite afirmar é que a próxima eleição do Senado tem potencial para produzir uma Casa mais à direita, com uma bancada bolsonarista numerosa e um núcleo petista relevante, mas sem entregar a nenhum desses campos a capacidade de governar sozinho.

Para Lula, se vencer a eleição presidencial, o desafio será transformar o eventual resultado do Executivo em maioria legislativa. Para o bolsonarismo, a eleição oferece a possibilidade de construir uma bancada capaz de fazer do Senado o principal palco institucional da oposição ao STF e ao novo governo. Entre os dois polos, estará o Centrão – e é nesse espaço que provavelmente se decidirá a maioria necessária para aprovar ou bloquear as principais pautas do próximo governo.

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) – ao centro – preside sessão deliberativa no Senado Federal. Foto: Ton Molina/Agência Senado

Metodologia

A reportagem de CartaCapital considerou as pesquisas de intenção de voto mais recentes efetivamente divulgadas até 9 de setembro de 2026, que estivessem registradas na Justiça Eleitoral e respeitassem o prazo legal de divulgação. Foram cruzados os registros do TSE/PesqEle com os resultados publicados pelos institutos e veículos que divulgaram os levantamentos. Entre as empresas/institutos utilizados estão AtlasIntel, BG/Perfil, Brasil Dados, DataTrends, Exatus, França/Instituto França, IPPI, Índice, Neokemp, Paraná Pesquisas, Quaest, Real Time Big Data, Travessia, TDL, VK e outros institutos locais, conforme a disponibilidade de pesquisa recente em cada unidade da Federação. 

A projeção não considera pesquisas registradas, mas ainda não divulgadas. Em casos de empate técnico, a segunda vaga é indicada como em aberto, sem tratar o resultado como definido. Os percentuais são reproduzidos conforme a metodologia de cada levantamento; em pesquisas que consolidam primeiro e segundo votos, o resultado consolidado foi utilizado. O TSE é a fonte para os registros; os resultados são de responsabilidade dos respectivos institutos.

Créditos Autor: Vinícius Nunes
Créditos Imagens: Reprodução Internet

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