A Petrobras informou nesta sexta-feira (7) que as negociações para uma possível recompra da Refinaria Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, não tiveram avanço recente. A unidade é atualmente controlada pela Acelen, empresa ligada ao fundo Mubadala.
O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, afirmou durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre que não houve evolução nas discussões entre as duas empresas.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, reforçou que a companhia pretende ampliar sua capacidade de refino, mas deixou claro que a eventual aquisição da unidade baiana dependerá das condições financeiras da operação.
“Esperamos que isso possa ser feito com Mataripe, mas para isso acontecer, vamos ter de contar com um preço adequado ao valor de mercado do ativo”, afirmou.
A Petrobras também sinalizou que a expansão do parque de refino não está condicionada à aquisição da refinaria baiana. Segundo Chambriard, a companhia pretende atingir esse objetivo “com Mataripe ou sem Mataripe”.
Refinaria foi vendida em 2021
A Refinaria Mataripe foi adquirida em 2021 pela Acelen, controlada pelo Mubadala Capital, em processo de desinvestimento realizado pela Petrobras. A unidade tem capacidade instalada de aproximadamente 323 mil barris de petróleo por dia e é responsável pelo abastecimento de parte importante do mercado de combustíveis do Nordeste.
Desde a venda, a Petrobras manteve relação comercial com a refinaria, inclusive como fornecedora de petróleo. Documentos da própria estatal mostram que as vendas de petróleo para a Acelen passaram a representar uma parcela relevante das operações de comercialização no mercado interno após a conclusão do desinvestimento.
A possibilidade de uma retomada de participação da Petrobras em Mataripe vem sendo discutida pela companhia. O interesse faz parte da estratégia de ampliar a presença da estatal no segmento de refino e aumentar a oferta doméstica de derivados.
Lucro da Petrobras cresce 97%
O debate sobre a Refinaria Mataripe ocorre no momento em que a Petrobras apresentou um forte resultado financeiro no segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no período, alta de 97% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
A estatal também informou recordes em indicadores operacionais. A produção de óleo e gás chegou a 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto o fator de utilização do parque de refino alcançou 101%.
A produção de derivados chegou a 1,9 milhão de barris por dia, crescimento de 5,6% em relação ao primeiro trimestre. Entre os destaques estão a produção de 509 mil barris de diesel S10 por dia e 109 mil barris de querosene de aviação.
Com a maior produção de derivados, as importações da companhia recuaram 40% na comparação com o trimestre anterior.
Bahia permanece no centro da estratégia de refino
A eventual recompra de Mataripe tem importância estratégica para a Bahia porque a refinaria é uma das principais estruturas de processamento de petróleo do Nordeste. A unidade produz derivados como diesel, gasolina, querosene de aviação e outros combustíveis destinados principalmente aos mercados regionais.
Apesar do interesse na unidade, a direção da Petrobras indica que a aquisição dependerá de uma avaliação econômica. A companhia, portanto, mantém abertas duas possibilidades, concluir a negociação com a Acelen caso o preço seja considerado adequado ou avançar na expansão do refino por meio de outros ativos e investimentos.
As tratativas seguem sem um acordo anunciado, enquanto a Petrobras avalia como ampliar sua capacidade de refino dentro de sua estratégia para os próximos anos.
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