A Polícia Federal investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e o advogado Willer Tomaz, seu amigo, por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A apuração envolve o possível uso de casas de apostas para movimentar recursos e ganhou destaque após a descoberta de uma sala secreta em um hangar em Brasília ligado ao advogado.
O espaço foi localizado em agosto de 2026, durante uma operação de busca e apreensão da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS. Escondida atrás de um painel de madeira e protegida por uma porta blindada, a sala tinha estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro. A PF suspeita que o local servia para guardar e organizar dinheiro em espécie, possivelmente transportado em aviões particulares. A existência do ambiente foi revelada nesta quarta-feira (21) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
No celular de Willer, os investigadores encontraram mensagens e uma planilha que apontam o pagamento de R$ 12 mil a uma empresa especializada em retirar da internet links de reportagens que relacionavam o advogado a Flávio Bolsonaro. Também foram localizados e-mails indicando que o senador havia sido cadastrado como usuário master de uma conta bancária da Alcazar, empresa de Willer. Essa modalidade de acesso confere poderes de administração sobre a conta.
A Alcazar está registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, no mesmo endereço de outra empresa do advogado, a Cathedral. Segundo a investigação, a Cathedral foi usada para pagar viagens de férias de Flávio e de sua família à Europa, em maio de 2025. A empresa também é dona da Best Bet, da Rede Loto, casa de apostas esportivas que pertence a Willer. De acordo com a PF, em 2023, a Rede Loto foi a primeira bet a obter autorização da Loterj, a Loteria do Rio de Janeiro.
A investigação também aponta movimentação financeira considerada incompatível com as atividades econômicas do advogado. Segundo o Ministério da Fazenda, Willer foi a pessoa que mais depositou dinheiro em bets no país em 2025, movimentando cerca de R$ 5 bilhões em apostas. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a PF citou registros de dias em que ele movimentou mais de R$ 35 milhões.
A PF avalia que parte dos recursos movimentados nas plataformas poderia permanecer em estruturas empresariais relacionadas, alcançar terceiros ou retornar por outras vias financeiras. Os investigadores consideram a hipótese de que as apostas tenham sido utilizadas para fazer circular grandes quantias por meio de reapostas sucessivas, aceitação de perdas e retiradas posteriores de parte do capital.
Em relação à participação em empresas, Willer havia negado ser sócio da Riopag, operadora de pagamentos de apostas de lotéricas e bets da Loterj. Nesta quarta-feira (21), porém, admitiu à coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, manter participação indireta por meio de uma “cadeia de sociedades regularmente constituídas”.
A defesa de Willer afirmou que a sala-cofre e os equipamentos do hangar atendem a empresas de transporte de valores que são clientes das empresas de aviação. Segundo os advogados, nenhuma quantia foi encontrada no local, e as instalações não indicam irregularidade. Sobre a retirada de reportagens, a defesa declarou que a medida foi judicial e buscava desindexar conteúdos antigos e desatualizados. Também afirmou que o advogado atua exclusivamente como advogado da Rio Pag, não integra a gestão das empresas citadas e tem movimentação financeira compatível com seus rendimentos, com recursos de origem lícita e declarados à Receita Federal. A defesa ainda questionou a divulgação das suspeitas às vésperas do segundo turno, alegando possível uso político de informações sigilosas.
A assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que o senador nunca manteve conta bancária na qual Willer Tomaz ou alguma de suas empresas tivesse o status de usuário master.
Créditos Autor: Redação
Créditos Imagens: Reprodução Internet
