A permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado entrou na reta final após a operação da Polícia Federal que o colocou entre os investigados no caso Banco Master. A expectativa no Palácio do Planalto é de que o congressista entregue o cargo em uma conversa com o presidente Lula (PT) prevista para esta semana, numa tentativa de encerrar o desgaste provocado pela investigação.
Segundo relatos de aliados, Lula considera que o próprio Wagner deve tomar a iniciativa de deixar a liderança. A avaliação é que uma renúncia voluntária evitaria o constrangimento de o presidente afastar um aliado de mais de quatro décadas, preservando a relação pessoal entre ambos e permitindo uma saída considerada “honrosa” para um dos nomes históricos do partido.
A pressão pela mudança cresceu após a operação da PF, que apura suspeitas de que Wagner teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master para beneficiar interesses do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu ex-sócio, Augusto Lima. O senador nega qualquer irregularidade.
No governo, porém, consolidou-se a percepção de que a permanência de Wagner na liderança se tornou politicamente insustentável. Auxiliares de Lula avaliam que mantê-lo no cargo enfraquece o discurso de que o governo defende a apuração rigorosa do caso Master, independentemente de quem seja investigado, além de comprometer a estratégia petista de explorar politicamente as suspeitas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no mesmo escândalo.
Outro fator que pesou contra o senador foi a condução da crise. Integrantes do Planalto consideraram equivocadas as declarações dadas por Wagner após a operação da PF, nas quais afirmou acreditar que permaneceria no cargo em razão da confiança de Lula e mencionou o apoio recebido do presidente. Nos bastidores, aliados interpretaram que a manifestação aumentou a pressão sobre Lula ao tornar mais difícil uma eventual substituição.
Por um fio
Embora a tendência seja de saída, há fatores que ainda explicam por que Wagner permanece no posto nos últimos dias. Além da amizade de décadas com Lula, o senador é um dos fundadores do PT, foi governador da Bahia, ministro em diferentes governos petistas e ocupa posição estratégica na legenda. No Planalto também houve receio de que uma troca imediata pudesse ser interpretada como reconhecimento antecipado de culpa, antes do avanço das investigações.
A situação do senador já vinha se desgastando antes mesmo da operação da PF. Entre os episódios lembrados por governistas está a derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, na tentativa de aprovação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Também pesaram críticas à dificuldade de articulação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em votações consideradas sensíveis para o Palácio do Planalto.
Apesar da expectativa de substituição na liderança do governo, aliados afirmam que Lula não pretende abandonar Wagner politicamente. A avaliação no PT é que o presidente continuará apoiando a candidatura do senador à reeleição na Bahia, estado considerado estratégico para o projeto eleitoral petista e onde a manutenção da aliança é vista como prioridade para a disputa de 2026.
Créditos Autor: Vinícius Nunes
Créditos Imagens: Reprodução Internet

