A cúpula do PT trabalha para enterrar a ideia de um possível palanque duplo para Lula em Pernambuco neste ano. Segundo lideranças do partido, não há possibilidade de recuar no compromisso firmado pelo presidente com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que concorrerá ao governo estadual em outubro.
O assunto voltou a ganhar força nesta semana após o ministro Wellington Dias levantar a possibilidade de uma acomodação entre Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição.
Para correligionários de Dias, a declaração provocou desgaste desnecessário com o PSB e obrigou interlocutores do governo e do partido a agirem para conter a insatisfação. O ex-prefeito chegou a telefonar para o presidente do PT, Edinho Silva, a fim de expressar incômodo.
Nos bastidores, dirigentes lembram que Campos preside o PSB, principal aliado do PT no cenário nacional, e que Lula já havia sinalizado apoio ao projeto político do herdeiro de Eduardo Campos. Há, inclusive, expectativa pela divulgação de um vídeo conjunto para reforçar a aliança nas próximas semanas.
Petistas ouvidos pela reportagem também argumentam que seria politicamente inviável rever o acordo após o PSB abrir espaço para a filiação de expoentes como a ex-ministra Simone Tebet (SP) e o senador Rodrigo Pacheco (MG), movimento visto como estratégico para a montagem da coalizão de Lula em 2026.
Embora integrantes do PT admitam a existência de um entendimento informal para não constranger apoiadores que prefiram votar em Lyra, a orientação oficial será caminhar com Campos.
A governadora é vista com desconfiança por setores do PT no estado, que reclamam da falta de acenos mais claros a Lula e classificam sua postura em relação à sucessão presidencial como “escorregadia”.
Créditos Autor: Wendal Carmo
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