CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES


O presidente Trump não esconde um de seus maiores medos: perder o controle republicano do Congresso dos EUA em 3 de novembro, o que possivelmente levaria a um terceiro processo de impeachment. No entanto, sua resposta é uma mistura caótica de medidas para evitar uma derrota avassaladora que poderia, de fato, concretizar seu cenário de pesadelo.

Quais são seus planos para uma vitória eleitoral? Quais condições ele criou que podem levar à sua ruína política durante os dois últimos anos de seu governo? 

As pesquisas mostram consistentemente uma taxa de impopularidade geral de Trump em torno de 63%, contra uma de aprovação de cerca de 35%, composta em grande parte por seus apoiadores leais do movimento MAGA. As duas principais questões para os eleitores continuam sendo a inflação — com o aumento dos custos de alimentos, combustíveis, fertilizantes e moradia — e a guerra contra o Irã, sem qualquer desfecho positivo visível para o governo Trump. A atual composição do Congresso confere aos republicanos uma maioria mínima de quatro cadeiras tanto na Câmara quanto no Senado, o que significa que qualquer pequena mudança na preferência dos eleitores poderia transferir o poder para os democratas nas eleições de novembro.

Plano A: redesenhar o mapa das eleições nos EUA

O plano inicial de Trump para derrotar os democratas consistia em pressionar as maiorias republicanas nas legislaturas de vários estados a redesenhar os limites dos distritos eleitorais para favorecer seu partido, realocando prováveis eleitores democratas para distritos com maioria republicana e, assim, diluindo sua força nas urnas.

Simultaneamente, os seis membros da Suprema Corte dos EUA nomeados por republicanos esvaziaram dispositivos fundamentais da histórica Lei de Direitos de Voto de 1965. Eles decidiram que levar em conta padrões históricos de discriminação racial contra eleitores negros não justificava mais medidas destinadas a proteger o peso do voto afro-americano nas eleições dos estados do Sul.

Dada a recente polarização política nos Estados Unidos, na qual a maioria dos 435 distritos da Câmara foi desenhada para favorecer um partido em detrimento do outro, as estimativas atuais apontam, pelo menos, para 49 distritos nos quais há uma disputa real entre candidatos republicanos e democratas pela representação no Congresso. Pesquisas também indicam que, em nível nacional, os democratas detêm uma vantagem de 6% a 7% sobre os republicanos, o que sugere que provavelmente conquistarão o controle da Câmara dos Representantes.

A situação no Senado é mais complexa, pois os democratas precisarão reeleger vários titulares e conquistar cadeiras em estados que apoiaram candidatos presidenciais republicanos nas últimas décadas — Alasca, Carolina do Norte, Iowa, Ohio, Texas e Maine —, embora as pesquisas atuais favoreçam os candidatos democratas nestes estados por margens estreitas.

O plano B: cortar eleitores da lista

Após não conseguir assegurar uma possível maioria republicana por meio do redesenho dos mapas distritais, a estratégia seguinte de Trump foi emitir ordens executivas destinadas a restringir o voto de prováveis apoiadores de candidatos democratas, assumindo o controle federal sobre o processo eleitoral nacional — uma responsabilidade claramente atribuída aos estados pela Constituição dos EUA.

O pretexto utilizado é a suposta ocorrência generalizada de votos de não cidadãos, argumento que se alinha convenientemente à campanha agressiva de Trump contra imigrantes, mantida há uma década. No entanto, todas as investigações confiáveis sobre possíveis votos ilegais de não cidadãos revelam um número ínfimo de pessoas que efetivamente violaram a lei. Tal fato jamais determinou a vitória ou a derrota de um candidato em qualquer disputa eleitoral.

Perda do controle dos Republicanos no Congresso pode abrir caminho para novos processos de impeachment contra Trump

Terceiro plano: pressionar governadores democratas

A terceira iniciativa de Trump consistiu em exigir que governadores de estados com tendência democrata repassassem ao governo federal informações de registro eleitoral, para que este pudesse determinar quais eleitores registrados eram elegíveis para votar.

Isso conferiria ao Departamento de Segurança Interna poder ilimitado para definir quem seria considerado um eleitor legítimo e quem, na sua visão, não seria elegível ao voto. Até o momento, governadores democratas recusaram-se a cumprir a medida, e a ordem de Trump está bloqueada judicialmente.

Plano 4: exigir mais documentos para votar

Paralelamente, uma quarta estratégia utilizada por Trump para tentar favorecer os republicanos na eleição é uma proposta de lei no Congresso, conhecida como Save America Act, que exigiria que os eleitores comprovassem sua cidadania por meio de certidão de nascimento ou de passaporte dos EUA. Nos Estados Unidos, não existe um documento de identidade nacional que indique o status de cidadania, e estima-se que 21 milhões de eleitores em potencial não possuam passaporte nem acesso fácil às suas certidões de nascimento.

Essa disposição criaria complicações adicionais para pessoas que se casaram e alteraram seus nomes. Até mesmo alguns senadores republicanos consideram o projeto uma exigência excessivamente onerosa para os eleitores e recusaram-se a apoiá-lo, o que significa que ele não se tornará lei.

Quinto alvo: o voto por correio

Um quinto esforço tem sido o de bloquear o voto por correio, um método atualmente utilizado por um terço do eleitorado americano para participar das eleições. Embora o próprio Trump tenha votado por correio em duas eleições recentes na Flórida, o Save America Act e um novo conjunto de diretrizes do Serviço Postal dos EUA concederiam à agência o poder de determinar quais destinatários têm direito a receber a cédula para votar por correio, com base em registros de eleitores compilados pelo governo federal.

É provável que a Suprema Corte analise contestações às diretrizes do Serviço Postal nas próximas duas semanas. Caso a maioria conservadora apoie o plano de Trump, isso representará uma reinterpretação sem precedentes da Constituição, ao concentrar poder nas mãos de um órgão governamental que foi explicitamente excluído da organização das eleições.

Trump nunca se recuperou de sua derrota eleitoral de 2020 e continua a insistir que as eleições foram roubadas. No entanto, ele perdeu 62 ações judiciais em que não encontrou fundamento para suas alegações. Isso levou à sua tentativa desesperada de impedir a posse de Biden como presidente, mobilizando seus apoiadores para invadirem o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2023. Desde então, centenas de partidários leais a Trump foram eleitos ou nomeados para juntas eleitorais estaduais e locais, onde provavelmente tentarão direcionar os resultados eleitorais finais a favor de candidatos republicanos caso haja contestação.

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Plano 6: supervisionar as eleições

A sexta medida de Trump tem sido enviar observadores eleitorais a estados que realizaram eleições recentemente, visando construir argumentos para uma supervisão federal (e possível interferência) em disputas acirradas.

Em 2020, o procurador-geral de Trump, William Barr, bloqueou a tentativa do presidente de confiscar urnas eletrônicas no Arizona. Neste ciclo eleitoral, o Departamento de Justiça anunciou que mais de mil agentes estão sendo treinados para monitorar as eleições em estados-chave. Eles seriam, sem dúvida, bem recebidos pelas centenas de negacionistas eleitorais que supervisionam as eleições em diferentes estados. Trump poderia declarar emergência nacional e ordenar a requisição das urnas para questionar resultados eleitorais desfavoráveis e manipulá-los em favor dos republicanos.

Sétimo plano: caça aos comunistas

A sétima ação de Trump tem sido lançar uma campanha agressiva contra candidatos democratas, especialmente aqueles com inclinações socialistas democráticas, alegando que são comunistas. Embora esse discurso possa parecer um retorno anacrônico à era da Guerra Fria, ele ressoa com a base de Trump. Alguns líderes democratas moderados alimentaram esse discurso ao argumentar que alguns candidatos democratas ao Senado — Dr. Abdul El-Sayed, de Michigan, e Angela Nixon, da Flórida — estão muito à esquerda para conquistar eleitores independentes nessas duas disputas decisivas.

Medida número 8: negacionismo de guerra

Para responder aos preços elevados da gasolina e ao seu efeito em cascata na economia, como oitava medida, Trump tentou manipular o mercado declarando que a guerra com o Irã havia terminado e que sua “missão foi cumprida” — uma referência bizarra à declaração do presidente Bush na Guerra do Iraque, quando aquele conflito perdurou por vários anos a mais.

Uma campanha anunciada de sanções econômicas totais contra o Irã também parece fadada ao fracasso, pois exigiria a improvável cooperação da China, que atualmente importa entre 80% e 90% de seu petróleo do Irã.

Plano 9: se não têm picanha, que comam moída!

Em uma tentativa ineficaz de reduzir os preços, a nona ação de Trump consistiu em anunciar que os Estados Unidos importarão 300 mil toneladas métricas de carne bovina moída e aparas de carne magra estrangeiras em um prazo de 90 dias — presumivelmente da Argentina — e as venderão no mercado americano por um quarto do custo da carne nacional, prejudicando drasticamente os produtores locais.

Essa proposta enfrentou forte resistência de agricultores de inclinação conservadora em estados-chave que, por sua vez, podem determinar quem controlará o Senado. Trump também anunciou um possível acordo com a Venezuela, no qual o Pentágono faria parceria com uma empresa venezuelana para acessar o petróleo do país pelos próximos cem anos, embora qualquer nova produção significativa provavelmente demorasse anos para influenciar o preço internacional do petróleo. 

Ideia número 10: uma campanha multimilionária para se promover

A décima medida de Trump para influenciar o resultado da eleição é a promessa de gastar parte dos 400 milhões de dólares em fundos de campanha sob seu controle para produzir anúncios eleitorais nacionais que destacassem suas principais realizações nos últimos dois anos, transformando a eleição em um referendo sobre sua gestão. Isso poderia ter o efeito oposto, lembrando os eleitores, em disputas legislativas cruciais, de quão poucas de suas promessas eleitorais de 2024 Trump realmente cumpriu.

Ao mesmo tempo, e sem razão lógica aparente, Trump decidiu travar uma guerra tarifária com o Canadá, o aliado mais leal dos Estados Unidos e um importante parceiro comercial. As tarifas de 50% ameaçadas sobre produtos canadenses não apenas aumentarão os preços para os consumidores americanos, mas também devastarão a economia dos estados que fazem fronteira com o Canadá — Maine, Michigan, Wisconsin e Missouri —, onde candidatos democratas e republicanos travam disputas acirradas. A decisão extravagante de Trump de ordenar a mudança do nome do Lago Ontário para Lago América, apenas para irritar os canadenses, só acende mais lenha na fogueira do conflito entre os dois países.

Em vez de tranquilizar seus potenciais apoiadores de que está fazendo todo o possível para acabar com a guerra no Irã e reduzir os preços, Trump passou os últimos meses dedicando um tempo enorme a projetos de vaidade, mesmo quando ordens judiciais bloquearam seus esforços. Ele se recusa a desistir de tentar incluir seu nome, de uma forma ou de outra, no Kennedy Center for the Performing Arts. Ele prosseguiu com a construção de seu salão de baile dourado na Casa Branca. Ele se recusa a admitir que a incompetência de uma empreiteira causou danos ao espelho d’água do Washington Mall e não desistiu do plano de construir um arco de 250 pés de altura para se destacar na paisagem de Washington, D.C.

Em vez de apresentar sua presidência como um compromisso diário de melhorar a vida das pessoas comuns e encerrar aventuras militares no exterior, Trump parece cada vez mais empenhado em encontrar maneiras de aumentar sua fortuna e a de sua família, bem como a do 1% da população que detém 31% da riqueza do país.

Se a eleição resultar em uma onda de mudança política, os republicanos perderão o controle da Câmara e, possivelmente, do Senado. Se os resultados configurarem um tsunami a favor dos democratas, Trump pode não enfrentar necessariamente um terceiro julgamento de impeachment em 2027 — já que os democratas não obterão os dois terços dos votos necessários para declará-lo culpado de “crimes graves e delitos” (high crimes and misdemeanors) —, mas certamente enfrentará uma enxurrada de investigações por corrupção e má gestão.



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