O Dia Internacional das Remessas Familiares, celebrado anualmente em 16 de junho, reforça a importância econômica e social dos recursos enviados por trabalhadores migrantes para seus países de origem. A iniciativa, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2018, busca ampliar a cooperação entre governos, instituições financeiras e organismos internacionais para tornar as transferências mais acessíveis, seguras e eficientes.

A campanha conta com o apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad) e da presidência francesa do G7, destacando o papel das remessas no fortalecimento das comunidades rurais, na geração de empregos e no estímulo ao empreendedorismo em regiões de menor renda.

Segundo dados divulgados pelo Ifad, trabalhadores que vivem no exterior enviaram cerca de US$ 653 bilhões para seus países de origem apenas no último ano. Os recursos beneficiaram diretamente mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, tornando-se uma importante fonte de sustento para aproximadamente uma em cada oito pessoas do planeta.

Além de complementar a renda familiar, as remessas desempenham papel estratégico na segurança alimentar global. O levantamento aponta que aproximadamente US$ 22 bilhões desse montante foram destinados a investimentos em sistemas agroalimentares, contribuindo para a produção de alimentos, o desenvolvimento rural e a geração de oportunidades econômicas em comunidades vulneráveis.

Os recursos enviados por migrantes têm peso significativo em diversas economias. Em cerca de 80 países, as remessas representam mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), especialmente em nações de renda média e baixa, onde essas transferências funcionam como uma importante rede de proteção social para milhões de famílias.

Outro aspecto destacado pela ONU é o avanço da inclusão digital no setor. Atualmente, cerca de metade das transferências internacionais já é realizada por canais digitais, reduzindo custos, aumentando a segurança das operações e ampliando o acesso aos serviços financeiros para populações antes excluídas do sistema bancário tradicional.

O relatório também chama atenção para a crescente participação feminina nos fluxos migratórios. De acordo com o Ifad, aproximadamente 91 milhões de mulheres vivem e trabalham fora de seus países de origem em regiões menos desenvolvidas. As remessas enviadas por esse grupo têm contribuído para a melhoria das condições de vida, educação e saúde de milhões de famílias.

Para a ONU, o fortalecimento da inclusão financeira e digital é fundamental para que as remessas continuem funcionando como instrumento de desenvolvimento sustentável. A campanha de 2026 faz um apelo à ação conjunta de governos, organismos internacionais e setor privado para ampliar oportunidades econômicas, especialmente para mulheres, jovens e moradores de áreas rurais.

Ao destacar o impacto das remessas familiares, a data reforça o papel dos trabalhadores migrantes na economia global e evidencia como os recursos enviados para seus países de origem continuam sendo uma das mais importantes ferramentas de combate à pobreza e promoção do desenvolvimento em diversas regiões do mundo.

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