O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, classificou como um “erro grave” o compartilhamento de um vídeo com críticas à população nordestina pelo atacante Willian José. O dirigente se pronunciou na quarta-feira (28), antes da entrevista coletiva do técnico Rogério Ceni, e explicou a decisão institucional de retirar o jogador da lista de relacionados para o confronto contra o São Paulo, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Segundo Santoro, a medida foi adotada após a repercussão negativa da publicação nas redes sociais. O dirigente ressaltou que o conteúdo divulgado pelo centroavante não representa o posicionamento do clube, do treinador ou da própria diretoria.
“Rogério falou antes do jogo, a gente viu o que aconteceu no domingo. O atleta cometeu um erro grave. Não é o que o Rogério pensa, não é o que o Bahia pensa, não é o que eu penso. Visto o que aconteceu, a gente tomou decisão institucional de tirar o atleta do jogo de hoje. É um momento para o atleta refletir sobre o erro grave que cometeu”, declarou Cadu Santoro.
A ausência de Willian José foi confirmada antes da partida contra o São Paulo, vencida pelo Bahia por 3 a 2, na Arena Fonte Nova. Até o momento do pronunciamento, o clube vinha tratando o episódio internamente, sem detalhar publicamente as providências adotadas.
A controvérsia começou no domingo (25), após o resultado das eleições presidenciais. Na ocasião, Willian José compartilhou nas redes sociais um vídeo de um influenciador que fazia críticas aos nordestinos, associando a população da região à dependência de benefícios estatais e utilizando declarações ofensivas contra o Nordeste.
Natural de Alagoas, o atacante recebeu críticas de torcedores do Bahia e se manifestou posteriormente para explicar a publicação. Na justificativa, afirmou que pretendia chamar a atenção para a atuação dos políticos e para as escolhas dos eleitores, defendendo melhorias em áreas como educação, saúde, segurança e qualidade de vida.
A repercussão levou o Bahia a divulgar uma nota oficial de repúdio a manifestações de ódio, xenofobia e preconceito. Sem citar diretamente o jogador, o clube reafirmou seu compromisso com a defesa da população nordestina e destacou que o conteúdo compartilhado não representa os valores da instituição.
Além das medidas adotadas pelo Bahia, o episódio passou a ser investigado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão instaurou um procedimento para apurar uma possível prática de xenofobia relacionada à publicação.
A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. Até o momento, não há prazo informado para a conclusão do procedimento, que busca esclarecer as circunstâncias do caso.
O Bahia ainda não detalhou quais serão os próximos passos em relação ao futuro de Willian José. O atacante tem contrato com o clube até o fim de 2026.
