A TV Globo decidiu, nesta quinta-feira 1º, cancelar o debate que realizaria entre candidatos à Presidência da República. A suspensão acontece horas após Flávio Bolsonaro (PL) cancelar sua ida ao programa — antes, Lula (PT) já tinha anunciado que não iria comparecer.

Em nota, a emissora questionou as decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal. A ministra Stella Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio de presidente Lula. Depois, Gilmar Mendes, do STF, obrigou a empresa a convidar o candidato do Missão, Renan Santos.

A empresa citou ainda a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que obrigou na terça-feira 29 a emissora a convidar Romeu Zema (Novo).

“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”, disse.

Mesmo antes do cancelamento, a expectativa era de um confronto esvaziado, já que os líderes das intenções de voto anunciaram que não iriam.

Lula decidiu não comparecer ao programa e conceder uma entrevista ao podcast Flow no mesmo horário. Na noite desta quinta, o petista criticou o formato do programa: “Debate é saudável quando tem gente qualificada para fazer debate (…) outra coisa é disputar com uma pessoa desqualificada como Flávio Bolsonaro”, disse.

Já o candidato do PL justificou que não iria após o TSE proibir a emissora de exibir o púlpito vazio de Lula. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas”, disse.

Reação dos candidatos

Com o cancelamento, Ronaldo Caiado (PSD) criticou as decisões judiciais sobre o tema. “É um flerte perigoso – mais um – com o enfraquecimento das nossas instituições. Parecem desejar chegar a uma “ditadura da toga”, a ponto de decidir entre eles quem deve ser o presidente da República”, disse em nota.

Romeu Zema (Novo) também mirou sua artilharia no judiciário. “Nada contra a participação de qualquer candidato, mas sempre tivemos regras que deve ser obedecidas.”

O candidato do Missão, Renan Santos, publicou um vídeo nas redes sociais questionando a emissora e o candidato do PL. “Cancelou sua participação três minutos após minha participação ser oficializada. Olha o medo que ele tem de mim”, disse.

Augusto Cury (Avante) citou uma suposta insegurança jurídica e criticou Lula e Flávio. “Vocês amam mais o cargo do que a sociedade brasileira”, disse.

Créditos Autor: Gabriel Andrade
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