As principais chapas que disputarão a Presidência da República nas eleições de 2026 foram registradas sem mulheres nos cargos de presidente ou vice-presidente. Apesar de representarem 52,8% do eleitorado brasileiro, cerca de 84 milhões de votantes, as mulheres ficaram fora da composição das candidaturas majoritárias e deverão exercer papel estratégico durante a campanha como porta-vozes e interlocutoras junto ao eleitorado feminino.
A ausência de candidatas nas principais chapas evidencia um contraste entre a importância política das mulheres e o espaço ocupado por elas nas decisões partidárias. Ao mesmo tempo em que reconhecem a influência do eleitorado feminino, as legendas optaram por manter homens nos cargos mais altos das disputas presidenciais.
Na oposição, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a avaliar nomes femininos para a vaga de vice-presidente. Entre as possibilidades discutidas estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, a vereadora Priscila Costa e a deputada federal Bia Kicis. No entanto, diante das dificuldades para consolidar uma coligação com partidos como Progressistas, Republicanos e Podemos, o PL decidiu lançar uma chapa exclusivamente masculina, escolhendo o deputado Alfredo Gaspar como candidato a vice.
Situação semelhante ocorreu na candidatura de Romeu Zema (Novo). Sem ampliar sua base de alianças, o governador licenciando de Minas Gerais formou chapa com o senador Eduardo Girão, mantendo outra composição sem representação feminina.
No campo governista, o presidente Lula da Silva (PT) optou por manter o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), preservando a aliança construída entre PT e PSB desde as eleições de outubro. Durante as articulações políticas, lideranças da base governista defenderam a indicação de uma mulher para a vice-presidência. Os nomes da ministra Simone Tebet, da ministra Anielle Franco e da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, chegaram a ser mencionados, mas as negociações não avançaram.
A permanência de Alckmin foi interpretada como uma decisão voltada à manutenção da frente ampla e da estabilidade política da coligação governista, prevalecendo sobre outras possibilidades discutidas internamente.
Sem mulheres nas chapas presidenciais, a tendência é que lideranças femininas ganhem protagonismo durante a campanha eleitoral. A estratégia dos partidos é utilizar essas figuras para ampliar o diálogo com as eleitoras, reduzir índices de rejeição dos candidatos e reforçar temas diretamente ligados ao cotidiano das famílias, como inflação, renda, emprego e custo dos serviços essenciais.
Embora o eleitorado feminino seja maioria no país e tenha peso decisivo nas eleições nacionais, a formação das chapas para 2026 voltou a refletir a predominância masculina nas negociações partidárias, influenciadas pela construção de alianças, tempo de propaganda eleitoral e acordos políticos entre as legendas.
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