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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) costuma ser associada apenas aos ovários, mas seus efeitos podem atingir diferentes áreas do organismo. A condição envolve alterações hormonais, metabólicas e reprodutivas e pode permanecer sem diagnóstico durante anos.

A SOP está entre as alterações hormonais mais comuns em mulheres em idade fértil. Estimativas indicam que cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva no mundo apresentam a síndrome. No entanto, nem todas recebem o diagnóstico, principalmente porque os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

Além das alterações no ciclo menstrual, a síndrome pode provocar acne, aumento de pelos, queda de cabelo e dificuldades para engravidar. Em alguns casos, também está relacionada à resistência à insulina e a um maior risco de alterações metabólicas.

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O que é a síndrome dos ovários policísticos?

A SOP é uma condição hormonal que pode alterar a produção de andrógenos e o processo de ovulação. Embora os andrógenos também estejam presentes naturalmente no organismo feminino, níveis elevados desses hormônios podem provocar diferentes manifestações clínicas.

De acordo com a cientista Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, os sinais podem aparecer de maneiras diferentes.

“Na prática, os sinais podem variar bastante. Menstruações irregulares, períodos muito espaçados ou ausência de sangramento são manifestações frequentes. Também podem surgir acne persistente, pele oleosa, aumento de pelos no rosto e no corpo e queda ou afinamento dos cabelos”, explica.

Por isso, a presença de apenas um sintoma não é suficiente para confirmar a SOP. A avaliação médica precisa considerar o conjunto de sinais, exames e histórico da paciente.

Em mulheres adultas, o diagnóstico costuma considerar a presença de pelo menos dois de três critérios: sinais ou exames que indiquem excesso de andrógenos, irregularidade ou ausência de ovulação e alterações na aparência dos ovários. Antes disso, o profissional precisa descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes.

A ultrassonografia, portanto, não confirma a SOP sozinha. Algumas mulheres com a síndrome não apresentam ovários com aparência policística, enquanto alterações nos ovários podem aparecer em pessoas que não têm a condição.

Resistência à insulina também merece atenção

A relação entre SOP e metabolismo ajuda a explicar por que a síndrome não se limita ao sistema reprodutivo. Um dos principais pontos de atenção é a resistência à insulina.

Nesse quadro, as células do organismo respondem de forma menos eficiente à insulina, hormônio que ajuda a controlar a quantidade de glicose no sangue. Como compensação, o organismo pode produzir mais insulina.

Com o tempo, esse processo pode aumentar o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2.

“A resistência à insulina pode ocorrer mesmo quando a pessoa não apresenta excesso de peso. Por outro lado, o ganho de peso, especialmente na região abdominal, pode aumentar o risco de complicações metabólicas”, afirma Gindri.

Além disso, mulheres com SOP apresentam maior probabilidade de desenvolver alterações nos níveis de colesterol, pressão alta, doenças cardiovasculares e apneia do sono.

Por esse motivo, o acompanhamento da síndrome deve avaliar também a saúde metabólica, e não apenas o ciclo menstrual ou os sintomas relacionados aos hormônios.

Menstruação irregular pode ser um sinal

A irregularidade menstrual está entre as manifestações mais conhecidas da SOP. Isso acontece porque a ovulação pode ocorrer de maneira irregular ou deixar de acontecer em alguns ciclos.

Como consequência, os intervalos entre as menstruações podem ficar mais longos. Algumas mulheres também apresentam sangramentos mais intensos ou prolongados.

Entretanto, nem toda menstruação irregular significa SOP. Estresse, alterações na tireoide, mudanças importantes de peso, alguns medicamentos e outras condições hormonais também podem interferir no ciclo menstrual.

Por isso, mudanças persistentes no padrão da menstruação merecem avaliação profissional.

SOP pode afetar a fertilidade?

A alteração da ovulação também ajuda a explicar a relação entre a síndrome e a dificuldade para engravidar. A SOP é uma das principais causas de infertilidade relacionada à ausência de ovulação.

Isso, porém, não significa que mulheres com SOP não possam engravidar.

O tratamento depende de cada caso e pode incluir estratégias para estimular a ovulação quando existe desejo de gestação. Dessa forma, o diagnóstico da síndrome não significa infertilidade definitiva.

Para quem pretende engravidar, o acompanhamento médico ajuda a identificar as causas da dificuldade e definir a melhor estratégia.

Tratamento varia de acordo com cada mulher

Não existe um único tratamento indicado para todas as pessoas com SOP. A conduta depende dos sintomas, da idade, dos riscos metabólicos e dos objetivos da paciente.

O desejo de engravidar também modifica a estratégia. Quando não há intenção de gestação, por exemplo, o tratamento pode priorizar o controle das alterações menstruais e dos sintomas relacionados ao excesso de andrógenos. Já quando existe desejo de engravidar, o foco pode ser a regularização da ovulação.

Segundo Izabelle Gindri, hábitos de vida também fazem parte do cuidado.

“Alimentação equilibrada, atividade física regular e outros hábitos de vida saudáveis fazem parte do cuidado de todas as pacientes, independentemente de haver perda de peso”, afirma.

O tratamento não deve ser reduzido ao emagrecimento. Mulheres com diferentes pesos corporais podem apresentar SOP e também podem ter alterações metabólicas relacionadas à síndrome.

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Acompanhamento ajuda a prevenir complicações

Mais do que controlar a menstruação irregular, a acne ou o crescimento de pelos, o acompanhamento da SOP busca reduzir riscos que podem aparecer ao longo dos anos.

A ausência prolongada de ovulação pode favorecer alterações no endométrio. Ao mesmo tempo, fatores metabólicos, como resistência à insulina, alterações de colesterol e pressão arterial, exigem acompanhamento contínuo.

Por isso, a SOP deve ser encarada como uma condição que exige cuidado de longo prazo. O acompanhamento pode envolver ginecologista, endocrinologista, nutricionista e outros profissionais, conforme as necessidades de cada paciente.

Quando procurar avaliação?

Menstruações muito irregulares, períodos prolongados sem menstruar, aumento repentino de pelos, acne persistente, queda de cabelo ou dificuldade para engravidar são situações que merecem investigação.

O diagnóstico correto é importante para diferenciar a SOP de outras condições e acompanhar possíveis impactos metabólicos e reprodutivos. Com avaliação adequada, é possível controlar os sintomas e reduzir riscos para a saúde ao longo do tempo.

 

 

 

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