A maternidade no século 21 ganhou novos caminhos. Com os avanços da medicina reprodutiva, mulheres que desejam adiar a gravidez, casais homoafetivos, pessoas com infertilidade e mulheres que optam pela maternidade solo passaram a contar com técnicas cada vez mais seguras e acessíveis para realizar o sonho de ter filhos.
Hoje, procedimentos como congelamento de óvulos, Fertilização in Vitro (FIV), diagnóstico genético e bancos de gametas já fazem parte da realidade de milhares de famílias brasileiras. Além disso, a integração entre ciência e tecnologia vem transformando os tratamentos reprodutivos, aumentando as chances de sucesso e trazendo mais segurança para pacientes e especialistas.
Segundo a médica Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva, o planejamento reprodutivo se tornou uma escolha consciente. “Hoje a medicina oferece diferentes técnicas para que a gravidez aconteça de forma segura, respeitando o momento de vida e os desejos de cada paciente”, afirma.
A especialista destaca que o adiamento da maternidade se tornou uma realidade comum entre mulheres que priorizam carreira, estudos ou estabilidade financeira antes da gravidez. Nesse cenário, técnicas de preservação da fertilidade, como a vitrificação de óvulos e o congelamento de embriões, ajudam a ampliar as possibilidades futuras de gestação.
Planejamento reprodutivo cresce entre mulheres
O aconselhamento reprodutivo também ganhou espaço nos consultórios. Mulheres que desejam engravidar futuramente podem realizar exames para avaliar reserva ovariana, condições hormonais e possíveis fatores que interfiram na fertilidade.
Além disso, hábitos de vida, histórico familiar e regularidade do ciclo menstrual entram na avaliação médica. O acompanhamento precoce permite identificar riscos e definir estratégias para preservar a capacidade reprodutiva.
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, os modelos familiares brasileiros também mudaram nos últimos anos. As famílias tradicionais formadas por casais com filhos representam 42% dos arranjos familiares do país. Nesse contexto, os tratamentos de reprodução assistida passaram a atender diferentes configurações familiares.
“Os tratamentos deixaram de ser indicados apenas para casos clássicos de infertilidade conjugal. Hoje eles também possibilitam que casais homoafetivos tenham filhos biológicos e ajudam mulheres que desejam seguir o caminho da maternidade solo”, explica Gérsia Viana.
Brasil lidera reprodução assistida na América Latina
O Brasil ocupa posição de destaque na Reprodução Assistida na América Latina, segundo a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida. Atualmente, o país reúne cerca de 70 centros especializados vinculados à instituição.
Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mostram que o Brasil realizou 62.951 ciclos de Fertilização in Vitro em 2025.
Na Bahia, foram registrados 1.185 ciclos no mesmo período. Desse total, 869 ocorreram em pacientes acima dos 35 anos. Para especialistas, os números reforçam a tendência do adiamento da maternidade.
Diagnóstico genético amplia segurança dos tratamentos
Outro avanço importante da medicina reprodutiva é o Diagnóstico Genético Pré-Implantacional. O exame avalia alterações cromossômicas e hereditárias nos embriões antes da transferência para o útero.
Com isso, especialistas conseguem selecionar embriões saudáveis e reduzir riscos de doenças genéticas, como Síndrome de Down, hemofilia e fibrose cística.
Segundo Gérsia Viana, a tecnologia aumenta as chances de sucesso da gravidez e contribui para tratamentos mais seguros. “Além de melhorar os resultados, o exame ajuda a prevenir doenças genéticas e hereditárias”, explica.
Inteligência artificial transforma reprodução assistida
A tecnologia também passou a ocupar papel estratégico nos laboratórios de reprodução assistida. Em Salvador, a Huntington Cenafert implantou uma incubadora de última geração integrada à inteligência artificial para monitoramento embrionário.
O equipamento, chamado EmbryoScoper Plus, utiliza um sistema de vídeo time-lapse que registra imagens do desenvolvimento embrionário a cada 10 minutos, durante 24 horas por dia.
A tecnologia permite acompanhar o crescimento do embrião em tempo real sem necessidade de manipulação externa, tornando o processo mais seguro e preciso.
Além disso, o sistema integrado à inteligência artificial Maia auxilia especialistas na análise dos embriões e na escolha daquele com maior potencial para implantação no útero.
“Essa tecnologia representa um marco para a reprodução assistida na Bahia e acompanha uma tendência já presente em grandes centros internacionais”, destaca a médica.
Outro diferencial é a possibilidade de os pacientes acompanharem imagens do desenvolvimento embrionário durante o tratamento, aproximando ainda mais as famílias desse processo.
Créditos Autor: Isabela
Créditos Imagens: Reprodução Internet

