Levantamento AtlasIntel/Estadão aponta que a maioria dos brasileiros não confia nos ministros do Supremo Tribunal Federal. Toffoli e Nunes Marques registram as maiores taxas de rejeição individual, enquanto Cármen Lúcia é a única com saldo positivo. O caso Banco Master intensifica a percepção de envolvimento direto de magistrados.
Uma nova pesquisa AtlasIntel/Estadão expõe um cenário de profunda desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques lideram os índices de rejeição individual, enquanto a Corte como um todo enfrenta a desaprovação de 61% dos brasileiros. O levantamento, divulgado recentemente, revela ainda que 85,1% dos entrevistados acreditam haver envolvimento direto de ministros no caso Banco Master.
Toffoli e Nunes Marques no topo da rejeição
Dias Toffoli registra a maior rejeição individual do tribunal, acumulando 79% de avaliação negativa e apenas 5% de imagem positiva. Nunes Marques aparece com 63% de avaliação negativa e 12% de positiva. Esses números colocam ambos como os ministros com pior percepção pública no momento, refletindo um desgaste significativo de suas imagens perante a sociedade.
A rejeição a Toffoli é particularmente expressiva, com quase oito em cada dez brasileiros avaliando-o negativamente. Já Nunes Marques, embora com rejeição menor, ainda enfrenta uma desaprovação de quase dois terços da população. A fonte não detalhou os motivos específicos para esses índices, mas o contexto de desconfiança geral na Corte pode ser um fator relevante.
Esses dados acendem um alerta sobre a credibilidade do STF, uma vez que a confiança pública é essencial para a legitimidade das decisões judiciais. A continuidade desse cenário pode aprofundar o distanciamento entre a população e o Judiciário.
Gilmar e Moraes empatam em rejeição
Em seguida, empatam no percentual bruto de rejeição os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, ambos com 59% de imagem negativa. No entanto, Moraes apresenta uma taxa de aprovação maior (36% positiva) em comparação a Gilmar (26% positiva). Essa diferença na avaliação positiva indica que, apesar da rejeição semelhante, Moraes ainda conta com uma base de apoio mais sólida.
O empate na rejeição não esconde as trajetórias distintas dos dois ministros. Moraes, que tem protagonizado decisões de grande repercussão, mantém um núcleo de apoiadores que reconhecem sua atuação. Gilmar, por outro lado, enfrenta uma desaprovação mais ampla, com menos de três em cada dez brasileiros avaliando-o positivamente.
A polarização em torno desses nomes reflete o clima de divisão política que permeia o país. A Corte, que deveria ser um espaço de consenso técnico, tornou-se alvo de disputas ideológicas que se refletem nas pesquisas de opinião.
Fachin e a confiança abalada na Corte
O presidente da Corte, Edson Fachin, é rejeitado por 54% e aprovado por 22%. A única integrante da Suprema Corte a fechar o levantamento com saldo de imagem positivo é a ministra Cármen Lúcia, que soma 47% de avaliação positiva frente a 38% de rejeição. Cármen Lúcia destoa do padrão geral, sendo a exceção em um tribunal marcado pela desaprovação majoritária.
O ministro André Mendonça, que está no centro do embate com Moraes, também é avaliado positivamente por 47%, mas seu índice de rejeição é de 48%. Mendonça praticamente divide a opinião pública, com uma leve vantagem para a rejeição, o que o coloca em uma posição delicada diante dos conflitos internos da Corte.
Segundo a pesquisa AtlasIntel/Estadão, 61% dos brasileiros afirmam não confiar nos ministros da Corte, enquanto apenas 27,8% dizem confiar e 11,1% não souberam responder. Esse dado global reforça a percepção de que o STF enfrenta uma crise de confiança sem precedentes, com menos de um terço da população depositando credibilidade nos magistrados.
O caso Banco Master e o sigilo
De acordo com o estudo, 85,1% dos entrevistados acreditam que há envolvimento direto de ministros do STF no caso do Banco Master, contra apenas 4,4% que descartam essa hipótese. A esmagadora maioria da população suspeita de condutas irregulares por parte dos magistrados, o que agrava ainda mais a imagem da instituição.
Além disso, 64% da população concorda totalmente que há um excesso de sigilo nas apurações, avaliando que a falta de transparência prejudica a confiança na sociedade. A percepção de opacidade nos processos envolvendo o Banco Master alimenta teorias e desconfianças, minando a credibilidade do Judiciário.
A combinação de suspeitas de envolvimento e falta de transparência cria um ambiente propício para a deslegitimação das decisões do STF. A pesquisa não detalha quais seriam as evidências para essas crenças, mas o sentimento popular é claro: a Corte precisa prestar contas de forma mais aberta.
O que esperar daqui para frente
Os números da AtlasIntel/Estadão colocam o STF diante de um desafio institucional significativo. Com a confiança pública em baixa e a rejeição a ministros específicos em patamares elevados, a Corte pode enfrentar pressões por reformas ou maior transparência. A fonte não detalhou se há iniciativas em andamento para reverter esse quadro.
Para o cidadão comum, a desconfiança no STF impacta diretamente a percepção de justiça e o Estado de Direito. A continuidade desse cenário pode levar a um aumento da judicialização da política e a um descrédito ainda maior das instituições democráticas.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa pesquisa e as reações do STF. Acompanhe nossas próximas publicações para mais informações sobre o tema.
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Créditos Autor: Redação BnT
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