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A tosse que permanece por semanas após um resfriado pode fazer parte da recuperação. No entanto, quando não evolui como esperado, piora progressivamente ou aparece acompanhada de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica sem esperar meses para investigar a causa.

Em adultos, a tosse é classificada como aguda quando dura menos de três semanas, subaguda quando persiste de três a oito semanas e crônica quando ultrapassa oito semanas. Nas crianças, a tosse é considerada crônica quando dura mais de quatro semanas. Os critérios são descritos nas diretrizes da Sociedade Respiratória Europeia sobre diagnóstico e tratamento da tosse crônica em adultos e crianças.

“Eu não orientaria ninguém a olhar para oito semanas como um prazo para esperar. Se a tosse não segue a evolução esperada de um resfriado ou de outra infecção respiratória, piora progressivamente ou vem acompanhada de sinais de alerta, a avaliação médica deve ocorrer antes”, explica o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Kumagai, do Hospital Paulista.

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Quais problemas podem causar tosse persistente?

Entre as causas mais comuns estão doenças das vias aéreas superiores, como rinite e rinossinusite, além de asma, bronquite eosinofílica não asmática e refluxo gastroesofágico. Mais de uma condição pode estar presente ao mesmo tempo, o que torna a investigação importante para identificar o fator responsável pelos sintomas.

A tosse também pode ser um efeito colateral de medicamentos. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), utilizados no tratamento da hipertensão arterial e de algumas doenças cardiovasculares, por exemplo, podem provocar tosse seca persistente. O tabagismo e a exposição à fumaça, à poeira, a produtos químicos e a agentes presentes no ambiente de trabalho também podem contribuir para o quadro.

Por isso, durante a consulta, o médico considera o histórico de saúde, os medicamentos utilizados, o tempo de duração da tosse e as situações em que o sintoma aparece.

Perfumes, fumaça e ar frio podem desencadear crises

Em algumas pessoas, o reflexo da tosse apresenta maior sensibilidade a estímulos do ambiente. Nesses casos, fatores como perfume, fumaça e ar frio podem provocar crises. Falar, rir ou cantar também pode desencadear o sintoma, que pode vir acompanhado de coceira ou irritação na garganta, necessidade frequente de limpar a voz e alterações vocais.

As diretrizes da Sociedade Respiratória Europeia abordam a hipersensibilidade do reflexo da tosse e a relação com estímulos como perfumes, fumaça e ar frio.

“Na Otorrinolaringologia, alguns gatilhos chamam atenção. Tossir ao falar, rir, cantar, sentir perfume ou respirar ar frio, especialmente quando existe uma sensação de irritação na garganta antes da crise, sugere um componente de hipersensibilidade do reflexo da tosse”, afirma o médico.

Tosse noturna ou com catarro também merece atenção

A tosse que aparece ou piora durante a noite pode estar relacionada à asma e a outras doenças respiratórias. Quando o sintoma se intensifica ao deitar, o médico também pode investigar a presença de refluxo gastroesofágico e de doenças nasais ou dos seios da face.

Já a tosse persistente com catarro pode estar associada a condições como bronquiectasia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e algumas infecções. A tosse seca, por sua vez, pode ocorrer em quadros de asma, após infecções virais, em decorrência do uso de determinados medicamentos ou devido à hipersensibilidade do reflexo da tosse.

A característica do sintoma, isoladamente, não confirma um diagnóstico. A avaliação médica considera o conjunto de sinais, o histórico do paciente e, quando necessário, exames complementares.

Quais sinais de alerta exigem avaliação médica?

Alguns sintomas indicam a necessidade de procurar atendimento sem demora. Entre eles estão:

  • Falta de ar importante ou progressiva;

  • Perda de peso sem explicação;

  • Dificuldade para engolir;

Alterações identificadas no exame respiratório ou em uma radiografia do tórax também podem levar à realização de outras investigações.

Pessoas com mais de 45 anos e histórico de tabagismo devem ter atenção especial diante de uma tosse nova ou que esteja piorando. Rouquidão persistente, dificuldade para engolir e estridor,  um ruído agudo durante a respiração, também são sinais que merecem avaliação, especialmente quando persistem ou aparecem associados a outros sintomas.

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Tosse por três semanas ou mais também pode indicar tuberculose

No Brasil, a tuberculose deve ser considerada na investigação da tosse persistente, conforme os sintomas apresentados, os fatores de risco e o contexto epidemiológico. A doença pode provocar tosse por três semanas ou mais, com ou sem catarro, além de manifestações como febre, suor noturno e perda de peso.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas com tosse por três semanas ou mais procurem uma unidade de saúde para investigação de tuberculose.

Outras condições, como bronquiectasia, doenças pulmonares intersticiais e neoplasias, também podem entrar no diagnóstico diferencial, a depender do histórico, dos sintomas e dos resultados dos exames.

“Se a tosse persiste, muda de padrão ou aparece junto com um desses sinais, vale procurar avaliação médica. Não é necessário esperar completar oito semanas”, reforça o Dr. Kumagai.

 

 

 

 

 

 

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