Em cartas enviadas a líderes legislativos, presidente diz que hostilidades terminaram em abril e por isso não precisa de aprovação para manter operações militares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou correspondências ao Congresso na 6ª feira (1º.mai.2026) afirmando que não precisa de aprovação legislativa para manter operações militares contra o Irã. Os documentos foram remetidos ao presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, da Louisiana, e ao senador Chuck Grassley, de Iowa, presidente pro tempore do Senado.
Trump diz que o cessar-fogo declarado em 7 de abril encerrou as hostilidades, dispensando-o da obrigação prevista na Resolução sobre Poderes de Guerra de 1973. Promulgada durante a Guerra do Vietnã, a resolução estabelece que presidentes que enviem forças americanas para hostilidades sem autorização do Congresso devem encerrar a operação após 60 dias.
A legislação permite ao presidente uma prorrogação de 30 dias, exclusivamente para trazer as tropas de volta para casa em segurança.
Trump notificou formalmente os legisladores sobre a operação em 2 de março. O prazo de 60 dias expirou na 6ª feira. No entanto, nas correspondências, o presidente comunicou aos líderes do congresso sobre “mudanças na postura das Forças Armadas dos Estados Unidos”. Trump afirmou que o cessar-fogo anunciado em 7 de abril pôs fim à guerra, já que “não houve troca de tiros entre as Forças dos Estados Unidos e o Irã desde 7 de abril” e que as hostilidades iniciadas pelo país e Israel em 28 de fevereiro “foram encerradas”.
As cartas não mencionam que em 19 de abril forças americanas dispararam contra um navio cargueiro com bandeira iraniana.
Ao falar com repórteres do lado de fora da Casa Branca na 6ª feira, Trump declarou que não precisava pedir ao Congresso para estender a guerra “porque isso nunca foi solicitado antes”. Ele alegou que a exigência era “inconstitucional”. “Estamos sempre em contato com o Congresso”, acrescentou. “Mas ninguém nunca buscou isso antes. Ninguém nunca pediu isso antes. Nunca foi usado antes. Por que deveríamos ser diferentes?”, afirmou.
O presidente afirmou ainda que os ataques ordenados ao Irã no início de 2026 não constituíam uma “guerra”, mas sim uma “operação militar” ou “incursão”.
As cartas foram enviadas em um momento em que Trump continua a ameaçar retomar o conflito com o Irã. Em uma delas, o presidente escreveu que, apesar do sucesso militar dos Estados Unidos no Irã, “a ameaça representada pelo Irã aos Estados Unidos e às nossas Forças Armadas continua significativa”. O presidente informou que o Departamento de Defesa “continua a atualizar o posicionamento de suas forças” na região.
Dezenas de milhares de soldados americanos permanecem na região.
REAÇÕES
Democratas de alto escalão rejeitaram imediatamente a afirmação de que o cessar-fogo havia interrompido a contagem regressiva. O argumento foi apresentado inicialmente pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, na 5ª feira (30.abr.2026).
A senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, democrata de maior hierarquia na Comissão de Relações Exteriores, emitiu comunicado criticando a posição presidencial. Shaheen integra as comissões de Serviços Armados e de Orçamento da Defesa. “O presidente Trump entrou nesta guerra sem uma estratégia e sem autorização legal, e o anúncio de hoje não muda nenhum desses fatos”, disse.
O senador Chuck Schumer, de Nova York, líder da minoria, usou um palavrão para condenar a declaração do presidente como um absurdo. “Esta é uma guerra ilegal e cada dia que os republicanos permanecem cúmplices e permitem que ela continue é mais um dia em que vidas são colocadas em perigo, o caos se instala e os preços aumentam, enquanto os americanos pagam a conta”, acrescentou em um comunicado.
A posição do governo pode não satisfazer republicanos importantes que, há semanas, apontam o fim do prazo de 60 dias como crucial para limitar a autoridade unilateral do presidente em relação às forças armadas no Irã.
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