O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia vai intensificar ataques contra refinarias russas. A declaração ocorre em meio à contraofensiva ‘Vivaldi’ e ao esforço de Washington para relançar negociações de paz.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou neste sábado que o país intensificará os ataques contra refinarias de petróleo russas. A declaração foi feita durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e sinaliza uma mudança na doutrina militar ucraniana.
De acordo com Zelensky, a decisão se explica pela intenção do presidente russo, Vladimir Putin, de demonstrar força em um momento em que o Exército russo perde terreno na linha de frente e sofre baixas cada vez maiores. O Kremlin não estava disponível neste sábado para comentar as informações.
Contraofensiva ‘Vivaldi’ recupera território no Donbass
Zelensky também afirmou que a contraofensiva ucraniana em andamento, batizada de “Vivaldi”, permitiu a retomada de cerca de 140 quilômetros quadrados na região do Donbass, no leste da Ucrânia, cujo controle total é reivindicado pela Rússia.
A operação ocorre em um contexto de pressão internacional por negociações. Nas últimas semanas, o governo do presidente americano Donald Trump tem buscado relançar as negociações para encerrar o conflito, iniciado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 e considerado o mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Zelensky cobra postura firme de Washington
O presidente ucraniano pediu a Washington que não normalize suas relações com a Rússia antes de garantir perspectivas concretas de paz. A fala reage ao convite feito por Donald Trump para que Vladimir Putin participe da cúpula do G20 prevista para dezembro, em Miami.
Zelensky afirmou estar disposto a se reunir com Putin para discutir a paz durante o G20, mas ressaltou que não se deve simplesmente buscar uma “normalização” das relações com Moscou. A decisão dos Estados Unidos de permitir a participação da Rússia em uma reunião do G20 no início de setembro, ao mesmo tempo em que restringiu o acesso de jornalistas ao encontro, já havia provocado irritação entre alguns ministros das Finanças dos países-membros.
Drones Shahed pressionam defesas ucranianas
Desde o verão, Moscou também passou a lançar diariamente dezenas de drones Shahed a jato, rápidos e relativamente baratos, colocando sob forte pressão as defesas antiaéreas ucranianas. Segundo Zelensky, a Ucrânia recorreu intensamente a seus caças F-16 e MiG para derrubar cerca de 60% desses drones, mas os estoques de munição utilizados pelas aeronaves estão se esgotando.
Kiev trabalha em alternativas, entre elas o reforço das capacidades de interferência eletrônica. Na semana passada, Zelensky anunciou que a Ucrânia desenvolve cinco modelos de drones interceptadores capazes de derrubar os Shahed a jato.
Mísseis balísticos de fabricação nacional
“Espero que, com todos esses elementos, encontremos uma solução”, disse. A Ucrânia anunciou nesta semana o primeiro uso em combate de seu próprio míssil balístico de fabricação nacional, o FP-7, com alcance aproximado de 250 quilômetros.
Zelensky afirmou ter telefonado para a fabricante Fire Point e cobrado rapidez no desenvolvimento de uma versão de maior alcance, o FP-9, que, segundo a empresa, poderia atingir Moscou. Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que continuaria realizando ataques contra Kiev e outras cidades ucranianas e recomendou que cidadãos estrangeiros e diplomatas deixassem Kiev. Os dois lados negam atacar deliberadamente civis.
A escalada militar ocorre enquanto a comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos do conflito. O Portal Boca no Trombone segue monitorando as negociações e os impactos da guerra na Europa.
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Créditos Autor: Redação BnT
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