CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

A União Europeia começou nesta quinta-feira (3) a suspender a entrada de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil. A medida foi adotada após o bloco retirar o país da relação de nações autorizadas a exportar produtos sujeitos às regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.

A decisão representa uma nova barreira para o agronegócio brasileiro em um dos principais mercados consumidores do mundo. A suspensão alcança carne bovina, frango, carne suína, pescados, ovos, mel, tripas e animais vivos destinados à produção de alimentos.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias consideradas suficientes para demonstrar que suas práticas de controle estão de acordo com as exigências do bloco. As regras europeias são especialmente rigorosas em relação ao uso de determinados antimicrobianos, incluindo substâncias utilizadas como promotores de crescimento.

Brasil tenta reverter suspensão

O governo brasileiro afirma que vem mantendo negociações técnicas com as autoridades europeias e que encaminhou documentação para comprovar o cumprimento dos requisitos sanitários. O Ministério da Agricultura informou que as tratativas continuam e que o Brasil pretende atender integralmente às exigências dos mercados compradores.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) também afirmou que trabalha para recuperar o acesso ao mercado europeu. A entidade informou que garantias oficiais já foram apresentadas e que frigoríficos habilitados participam de um protocolo específico para controle de antimicrobianos.

Impacto nas exportações

A União Europeia é um mercado estratégico para a carne brasileira, principalmente para cortes de maior valor. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 92 mil toneladas de carne bovina para o bloco, movimentando mais de 713 milhões de euros, segundo dados citados pela Folha de S.Paulo. De janeiro a julho de 2026, foram 63,7 mil toneladas, com receita de US$ 562,2 milhões.

A estimativa divulgada pelo setor é de que o impacto econômico possa alcançar até US$ 2 bilhões por ano caso a restrição seja prolongada. A preocupação aumenta porque a União Europeia remunera determinados cortes brasileiros com valores superiores aos praticados em outros destinos.

Auditoria pode abrir caminho para retomada

Uma auditoria europeia está em andamento no Brasil para avaliar as cadeias de frango e mel. A expectativa é de que os resultados possam permitir uma retomada mais rápida dessas exportações, embora ainda seja necessário que a Comissão Europeia analise as conclusões da missão.

No caso da carne bovina, a perspectiva é mais demorada. Segundo informações divulgadas pelo setor, mesmo com a reversão da medida, a retomada das vendas pode levar até dois anos por causa dos procedimentos de avaliação adotados pela União Europeia.

A suspensão ocorre em um momento delicado das relações comerciais entre Brasil e União Europeia, enquanto avançam as discussões envolvendo o acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. Para o setor produtivo brasileiro, a prioridade agora é comprovar o atendimento às exigências e recuperar o acesso ao mercado europeu no menor prazo possível.

Créditos Autor:
Créditos Imagens: Reprodução Internet

Fonte: Clique aqui