O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu neste sábado 27 em defesa da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto e buscou reduzir os efeitos da crise pública entre o congressista e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Durante o lançamento das pré-candidaturas do partido em Goiás, Valdemar afirmou que a indicação de Flávio partiu do ex-presidente Jair Bolsonaro e pediu unidade no campo bolsonarista.
Sem mencionar Michelle, o dirigente declarou que o senador foi o nome escolhido pelo ex-presidente para a sucessão presidencial. “Flávio foi escolhido pelo presidente Bolsonaro. Bolsonaro sempre fez a melhor escolha. Se escolheu Flávio, era porque era o melhor para o Brasil”, afirmou.
A manifestação ocorre poucos dias depois de Michelle tornar públicas divergências com o enteado, em um episódio que expôs tensões internas no grupo. Antes de retornar dos Estados Unidos, onde estava em viagem, Valdemar classificou o impasse como um problema que precisa ser resolvido para evitar prejuízos à campanha. “Nós temos que acertar isso aí. Se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa”, disse.
Também sem fazer referência direta ao episódio, Flávio adotou um tom “conciliador” durante o evento em Goiânia. Em discurso, defendeu que os aliados deixem divergências em segundo plano para manter o grupo unido. “É muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado, porque muitas vezes o caminho que nós escolhemos é diferente, mas para chegar no mesmo destino, para alcançar o mesmo objetivo”, afirmou.
Na cerimônia, o senador lançou as pré-candidaturas do PL em Goiás e apresentou o pré-candidato ao governo do Estado, Wilder Morais, além dos nomes apoiados para o Senado. Flávio também elogiou a candidata a vice na chapa de Wilder, Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende. “Eu peço a Deus que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada”, declarou.
Na sexta-feira 26, Flávio já havia sinalizado que pretendia encerrar a controvérsia. Ao ser questionado sobre o atrito, afirmou que o episódio era “página virada” e disse que, de sua parte, era “bola para frente”. O senador também contou que havia visitado o pai e que “estava tudo bem”.
A crise veio à tona na última quarta-feira 24, quando Michelle publicou um vídeo em que afirmou ter sido “maltratada” e “humilhada” por Flávio durante uma conversa telefônica motivada por divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Ela disse que o senador lhe afirmou que seria melhor ficar fora das decisões partidárias e que ela ainda não entendia de política. No dia seguinte, a ex-primeira-dama recuou das críticas, negou haver disputa com Flávio pelo comando das decisões do partido e do ex-presidente. Já o senador divulgou uma nota pedindo desculpas e negando ter desrespeitado Michelle.
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