O evento, realizado em São Paulo, reuniu estudantes e professores para discutir os impactos da tecnologia no direito. Em sua fala, Barroso destacou também que a atual revolução tecnológica, marcada pela digitalização e pela internet, criou uma nova economia baseada em dados e alterou profundamente a forma como a informação circula. Segundo ele, a tecnologia é uma “transformadora das estruturas da vida no planeta”.

Principais riscos

Apesar das vantagens, como a tradução de idiomas e apoio a diagnósticos médicos, Barroso destacou também riscos relevantes, como vieses algorítmicos, impacto no mercado de trabalho e uso bélico da tecnologia.

Entre as maiores preocupações, o ministro aposentado citou a possibilidade de manipulação em larga escala da informação. “O dia em que a gente não puder mais acreditar no que vê e ouve, a liberdade de expressão perde o sentido”, afirmou, ao mencionar o avanço de deepfakes.

Outro desafio é a regulação. Barroso defendeu a necessidade de regras para proteger direitos como privacidade e liberdade de expressão, mas reconheceu a dificuldade de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas. “Regular com o trem em movimento é difícil”, disse.

Efeitos no direito e na economia

Ao tratar dos impactos no direito, o ex-ministro destacou mudanças em diversas áreas, como o direito do trabalho, com a chamada “plataformização”, o direito concorrencial, que regula a competição entre empresas, diante da concentração de poder nas big techs, e o direito tributário, que enfrenta dificuldades para lidar com empresas globais sem presença física definida.

Barroso deixou o STF em 14 de outubro de 2025, ao completar 67 anos. Após a aposentadoria, fundou o escritório LRB,  Barroso & Osorio Advogados, ao lado da ex-secretária-geral do tribunal Aline Osorio e da advogada Luna van Brussel Barroso.

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