Financiamento estabelece novo data center no Ceará e ampliação da infraestrutura de nuvem no Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou nesta 2ª feira (25.mai.2026) financiamento de R$ 300 milhões para a Magalu Cloud. Segundo o banco, é a 1ª operação de financiamento voltada à expansão de um serviço brasileiro de computação em nuvem. Leia a íntegra do comunicado (PDF – 57 kB).

O investimento, de acordo com o banco de fomento, será usado para expandir a infraestrutura de computação em nuvem no Brasil. O Magalu planeja contratar 170 profissionais técnicos até 2028, elevando o quadro para 375 funcionários.

Os recursos, liberados via programa BNDES Mais Inovação, serão aplicados na ampliação da infraestrutura física, na compra de processadores e equipamentos de rede e em pesquisa e desenvolvimento.

O projeto estabelece a ativação de um 6º data center em Fortaleza (CE) e o reforço da unidade de São Carlos (SP). Atualmente, a Magalu Cloud opera 5 data centers: 3 na Grande São Paulo e 2 em Fortaleza. 

SOBERANIA NA NUVEM

De acordo com o governo, o financiamento à empresa de tecnologia do Magazine Luiza busca reduzir a vulnerabilidade do mercado brasileiro no setor de armazenamento de dados. Atualmente, a maioria das empresas nacionais –estatais e privadas– depende de serviços de nuvem estrangeiros, sujeitos à variação cambial e à legislação de outros países. Um exemplo é o Cloud Act, lei de 2018 dos Estados Unidos (íntegra – PDF – 257 kB) que permite que autoridades daquele país acessem servidores de empresas norte-americanas sediadas em qualquer lugar.

Seria uma situação extrema, mas não importa que as big 3 (como são chamadas Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud) instalem data centers no Brasil: mesmo em solo brasileiro estarão sempre submetidas ao Cloud Act dos EUA.

O serviço do Pix, por exemplo, está armazenado na nuvem da Amazon. O mesmo ocorre para a maioria dos dados do governo federal (como as declarações de Imposto de Renda) e também no caso de governos estaduais e prefeituras.

Com infraestrutura local e cobrança em reais, a Magalu Cloud pretende atrair clientes dos setores público e privado ao oferecer previsibilidade de custos e proteção jurídica baseada nas leis brasileiras. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a iniciativa está alinhada à Política Nacional de Inovação e à estratégia de digitalização do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

MERCADO EM ALTA

O mercado de computação em nuvem no Brasil está em forte expansão, impulsionado sobretudo pela demanda crescente por soluções de inteligência artificial, segundo dados do BNDES. A expectativa é que o setor passe de faturamento de US$ 20 bilhões em 2024 para US$ 80 bilhões em 2032, com taxa média de crescimento anual de 18,3%.

Segundo a empresa, a iniciativa também busca ampliar a concorrência em um mercado dominado pelas 3 gigantes internacionais (Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud). A proposta é oferecer uma alternativa nacional para processamento e armazenamento de dados, mantendo investimentos e capacidade tecnológica no Brasil.


Disclaimer: o CEO do Magalu, Frederico Trajano, é acionista minoritário do jornal digital Poder360.

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