A China voltou a endurecer o combate à corrupção dentro das Forças Armadas e condenou à pena de morte dois ex-ministros da Defesa ligados ao alto comando militar do país. Segundo informações divulgadas pela agência estatal Xinhua nesta quinta-feira (7), Wei Fenghe e Li Shangfu receberam sentenças de morte com suspensão de dois anos após investigações por corrupção e recebimento de propina.
As punições são consideradas as mais severas aplicadas contra integrantes da cúpula militar chinesa desde o início da campanha anticorrupção conduzida pelo presidente Xi Jinping, iniciada em 2012.
Pela legislação chinesa, a pena capital suspensa pode ser convertida em prisão perpétua caso os condenados não cometam novos crimes durante o período de dois anos estabelecido pela Justiça militar.
Wei Fenghe ocupou o comando do Ministério da Defesa entre 2018 e 2023 e foi acusado de receber grandes quantias em dinheiro e bens de alto valor em troca de favorecimentos e benefícios indevidos. Já Li Shangfu, que assumiu a pasta em 2023, permaneceu poucos meses no cargo antes de ser alvo da investigação conduzida pelas autoridades chinesas.
De acordo com a apuração oficial, Li teria utilizado sua posição para obtenção de vantagens pessoais e favorecimento de terceiros, além de descumprimento de responsabilidades políticas durante sua gestão.
As condenações fazem parte de um amplo processo de expurgo promovido pelo governo chinês nas Forças Armadas e em setores estratégicos da administração pública. Nos últimos anos, cerca de 100 oficiais de alta patente foram afastados ou removidos após suspeitas de corrupção.
Analistas internacionais avaliam que a ofensiva liderada por Xi Jinping também fortalece o controle político do Partido Comunista Chinês sobre o Exército de Libertação Popular. Críticos do governo afirmam que a campanha anticorrupção vem sendo usada para enfraquecer grupos rivais dentro da estrutura estatal chinesa.
Em fevereiro deste ano, Xi Jinping fez uma rara declaração pública sobre o tema e afirmou que o Exército chinês passou por um “processo revolucionário de fortalecimento no combate à corrupção”.
Outro episódio recente que ampliou a repercussão da campanha foi a destituição do general Zhang Youxia, integrante do Politburo e considerado um dos militares mais influentes da China. Segundo informações publicadas pela imprensa internacional, ele teria sido investigado por suspeitas de suborno e vazamento de informações estratégicas relacionadas ao programa nuclear chinês.
Especialistas apontam que as condenações de Wei Fenghe e Li Shangfu servem como um recado direto ao alto comando militar chinês e reforçam o endurecimento da fiscalização interna promovida pelo governo de Pequim.
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