Com 134 quilômetros de extensão em Guangxi, Canal de Pinglu promete reduzir drasticamente o tempo de navegação
A China iniciou testes de navegação no Canal de Pinglu, obra de US$ 10 bilhões e 134 quilômetros de extensão no sul do país. A expectativa é reduzir drasticamente o tempo de transporte marítimo para o Sudeste Asiático depois da inauguração, marcada para setembro.
O Canal de Pinglu conecta o rio Xijiang ao golfo de Beibu, na região autônoma de Guangxi, e cria uma ligação marítima direta para o sudoeste da China.
O megaprojeto está à frente de uma onda mais ampla de construção de canais provinciais em todo o país e amplia as preocupações de analistas sobre os riscos do aumento do endividamento dos governos locais.
Antes, as cargas do sudoeste precisavam percorrer centenas de quilômetros a mais rumo ao leste, passando por Guangzhou, para chegar ao oceano. A nova hidrovia elimina esse desvio e encurta a rota em mais de 560 quilômetros. Com isso, o tempo de transporte das exportações agrícolas para os mercados do Sudeste Asiático cairá de cerca de 15 dias para menos de 3 dias.
As autoridades locais estimam que o canal movimente 108 milhões de toneladas de carga por ano até 2035, principalmente carvão, minerais e produtos agrícolas. Segundo elas, a infraestrutura também deve reduzir os custos logísticos e atrair polos industriais para as cidades ao longo do trajeto.
O projeto custou cerca de US$ 10,7 bilhões, o equivalente a mais de US$ 79 milhões por quilômetro. Os governos central e regionais bancam metade do valor. O restante será financiado por títulos de propósito específico, capital corporativo e empréstimos bancários administrados pelo Pinglu Canal Group Co. Ltd.
Apesar do custo elevado e dos impactos ambientais —que exigiram a realocação de quase 10.000 manguezais adultos—, o projeto estimulou uma corrida por obras de infraestrutura em todo o país.
Províncias do interior, como Hunan e Jiangxi, articulam projetos próprios de hidrovias bilionárias para impulsionar o crescimento regional.
A expansão dos projetos de canais preocupa pesquisadores da área de transportes, que avaliam que a necessidade de grandes investimentos pode ampliar o endividamento dos governos locais.
Zhao Yifei, professor associado da Universidade Jiao Tong de Xangai, afirmou que os governos locais não devem superestimar os benefícios econômicos dos canais. Segundo o pesquisador, obter retorno econômico depende de planejamento industrial e não apenas da construção de infraestrutura.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 9 de junho de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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