O senador Angelo Coronel (Republicanos) declarou ser contrário ao fim da escala de trabalho 6×1 e avaliou que a medida pode aumentar o desemprego, especialmente em setores que funcionam de forma contínua, como comércio e serviços.
“Isso vai gerar na minha ótica desemprego, porque, por exemplo, como é que vai funcionar shopping? que trabalha sábado e trabalha domingo? Como é que fica o cinema? Como é que fica o restaurante?”, disse o parlamentar, na última quinta-feira (16), em Salvador.
Coronel também defendeu que a jornada deve ser definida por negociação direta entre patrões e empregados. “Eu acho que nós temos que ter a liberdade do empregado e empregador discutir qual é a sua carga de trabalho. Por que os Estados Unidos é uma potência? Porque lá a pessoa trabalha por hora. Trabalhou, ganhou, não trabalhou, não ganhou. E pode trabalhar fim de semana, feriado, é vontade do empregado. Não é o governo que tem que impor ao empregador, nem ao empregado, qual é o horário de trabalho”, afirmou.
O senador ainda acrescentou: “Porque todo mundo é livre, todo mundo sabe que de segunda a sexta é um trabalho normal, professor é segunda a sexta, comércio a maioria é segunda a sexta, indústria é segunda a sexta. Mas se o cara quer trabalhar sábado e domingo, qual o problema? Quem vai ter que impedir isso? Isso é uma questão de patrão empregado. Não é o governo que tem que se meter nisso, não”.
Comparação com os EUA levanta controvérsias
A referência feita pelo senador aos Estados Unidos, no entanto, não encontra consenso em estudos sobre jornada e qualidade do trabalho. Dados indicam que a carga horária média no país gira em torno de 40 horas semanais — semelhante ou até inferior à de países como o Brasil .
Além disso, pesquisas mostram que o modelo de trabalho por hora, citado como exemplo, está frequentemente associado à instabilidade. Um levantamento com mais de 18 mil trabalhadores norte-americanos apontou que 62% não têm horários considerados de alta qualidade, enquanto uma parcela significativa enfrenta jornadas imprevisíveis e pouco controle sobre o próprio tempo .
Essas condições impactam diretamente a vida fora do trabalho. Segundo o estudo, 57% dos trabalhadores com horários instáveis relatam dificuldades para conciliar emprego e vida pessoal, além de maior pressão financeira .
Qualidade de vida e excesso de trabalho entram no debate
Indicadores internacionais também reforçam que jornadas mais longas não significam melhores resultados. A OCDEaponta que o excesso de horas trabalhadas pode prejudicar a saúde, aumentar o estresse e reduzir o tempo dedicado ao lazer e à convivência familiar.
Nos próprios Estados Unidos, há sinais de insatisfação com o modelo tradicional. Um relatório recente mostra que trabalhadores têm priorizado cada vez mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional — até acima de salários mais altos .
Debate segue no Congresso
A discussão sobre o fim da escala 6×1 tem mobilizado diferentes setores e especialistas, dividindo opiniões entre impactos econômicos e qualidade de vida dos trabalhadores. Enquanto críticos apontam riscos ao mercado de trabalho, estudos internacionais indicam que modelos mais flexíveis e jornadas equilibradas podem contribuir para bem-estar e produtividade.
Créditos Autor: Vinicius Portugal
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