O delegado da Polícia Federal Albert Paulo Sérvio de Moura apresentou a Daniel Vorcaro, durante depoimento realizado em 28 de agosto, uma mensagem extraída do celular do ex-dono do Banco Master e atribuída pela investigação a uma conversa com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mensagem, Vorcaro mencionava “Andrei” e “Paulo” e pedia que eles fossem acionados para evitar que integrantes de escalões inferiores tomassem alguma medida que pudesse prejudicar o banco. Segundo a investigação, as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
O episódio ganhou destaque após o conteúdo do depoimento ser tornado público em meio à crise instalada no STF em torno das relações entre Vorcaro e Moraes. O material integra as investigações relacionadas ao Banco Master e está entre os elementos que provocaram a abertura de uma disputa entre ministros da Corte.
Vorcaro diz que não se lembra da mensagem
Durante o interrogatório, o delegado mostrou a imagem da anotação e perguntou a Vorcaro quem eram as pessoas citadas e para quem a mensagem havia sido enviada.
O ex-banqueiro afirmou não se lembrar do conteúdo. Segundo ele, naquele período mantinha conversas com diversas pessoas enquanto tentava viabilizar uma operação para preservar o banco.
Vorcaro também evitou fazer uma associação sem ter certeza sobre o destinatário. Ele afirmou que precisaria recuperar a memória sobre a conversa antes de responder de maneira definitiva.
A PF, entretanto, já havia identificado no relatório da investigação que a mensagem teria sido enviada a Moraes. O documento aponta ainda que Vorcaro buscava ajuda para lidar com pressões que, segundo ele, vinham do Banco Central, da própria PF e do Ministério Público.
Pedido envolvia cúpula da PF e PGR
Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu que seria importante “reforçar com Andrei e Paulo” para impedir que alguém de nível inferior adotasse uma medida que pudesse comprometer a situação do Master.
Em outro trecho, o banqueiro teria pedido que Andrei Rodrigues fosse sensibilizado para adiar uma ação da PF. A investigação não aponta, até o momento, que Rodrigues ou Gonet tenham efetivamente atendido aos pedidos feitos por Vorcaro.
A menção aos dois chefes de instituições de Estado é um dos pontos centrais do relatório produzido pela PF a partir do conteúdo encontrado no celular do ex-banqueiro.
“G” era Gabriel Galípolo, diz Vorcaro
Outro ponto abordado no depoimento foi a identificação de “G” em mensagens relacionadas à situação do Banco Master. Vorcaro confirmou que a referência era a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Em uma das mensagens, o banqueiro relatava ter recebido informações confidenciais de pessoas ligadas ao Banco Central sobre uma suposta pressão para adoção de medidas contra ele e o banco.
Vorcaro demonstrou preocupação com a forma como essas informações poderiam chegar a Galípolo e afirmou que precisava ter cuidado para não expor as pessoas que, segundo ele, repassavam informações internas.
Mensagens estão no centro da crise no STF
O conteúdo das conversas passou a ocupar posição central na crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O material foi extraído do celular de Vorcaro e posteriormente incluído em relatório da Polícia Federal que detalha sua relação com autoridades.
A documentação registra mensagens em que o banqueiro teria procurado Moraes para tratar de assuntos relacionados às investigações contra o Master. A PF afirma que parte das conversas foi atribuída ao ministro com base nos elementos disponíveis, mas ressalta que nem todas as mensagens permitem identificar de forma direta o interlocutor.
Mendonça utilizou informações do relatório para pedir que a conduta de Moraes fosse analisada pelo Supremo. Moraes, por sua vez, questionou a forma como o material foi produzido e divulgado e passou a contestar a atuação de Mendonça no caso.
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