Antes de o Paraguai mergulhar em uma grave crise bancária e política, a gestão do presidente Santiago Peña era frequentemente elogiada por representantes da direita brasileira. O empresário Luciano Hang, dono da Havan, chegou a classificar o governo paraguaio como um exemplo para toda a América Latina, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exaltou a modernização do Estado e a aposta em serviços digitais.
Os elogios ganharam destaque após a crise envolvendo o Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e foi colocada sob intervenção do Banco Central paraguaio por problemas graves de solvência. O escândalo provocou protestos, investigações e uma crise política que levou Peña a anunciar sua renúncia em 5 de novembro.
Em visita ao Paraguai, Luciano Hang fez uma série de declarações favoráveis ao ambiente econômico do país. O empresário incentivou brasileiros a transferirem negócios para o território paraguaio, destacando a carga tributária menor e as condições oferecidas pelo governo para o crescimento das empresas.
Durante encontro com Peña no Palácio Presidencial, Hang elogiou diretamente a administração de direita. Disse ter ficado impressionado com o país e afirmou que o governo trabalhava para servir à população. Também apresentou o Paraguai como referência para os demais países latino-americanos.
Flávio Bolsonaro também elogiou o presidente paraguaio
A avaliação positiva não ficou restrita ao empresário. Durante a campanha presidencial brasileira, Flávio Bolsonaro também elogiou a administração de Peña, destacando iniciativas de modernização do Estado e investimentos em governo digital.
Em uma manifestação pública, o senador parabenizou o presidente paraguaio pela chamada visão de futuro e apontou o país como exemplo de gestão. Peña também era próximo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e mantinha interlocução com setores conservadores da América Latina.
A crise do Ueno Bank, entretanto, colocou em xeque a imagem de estabilidade que o governo procurava transmitir. Peña havia sido acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025 e nomeou para a presidência do Banco Central Carlos Carvallo, que anteriormente havia dirigido o banco. A relação passou a ser questionada pela oposição em meio às suspeitas de irregularidades.
Após a intervenção na instituição financeira, milhões de correntistas tiveram dificuldades para acessar seus recursos. O episódio provocou a saída de Carvallo do comando do Banco Central e ampliou a pressão política sobre o presidente, que anunciou sua renúncia diante da possibilidade de impeachment.
O contraste entre os elogios feitos por lideranças da direita brasileira e a crise que atingiu o governo paraguaio reacendeu o debate sobre o modelo econômico apresentado por Peña como referência regional. O episódio também expôs os riscos de associar a imagem de estabilidade de um país a um ambiente de negócios sem que haja confiança nas instituições responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.
Créditos Autor:
Créditos Imagens: Reprodução Internet
