A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) relembrou sua trajetória política e destacou a luta pela democracia, pela liberdade e pela ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder. Com uma carreira iniciada ainda durante a ditadura militar, Lídice afirmou que sua entrada na política foi motivada pela perseguição sofrida por seu pai durante o regime.
Segundo a parlamentar, a experiência despertou ainda na adolescência sua sensibilidade para a luta política. Já na universidade, o contato com os movimentos políticos e estudantis em Salvador consolidou sua decisão de atuar em defesa da democracia.
“Minha sensibilidade para a luta política despertou ainda na adolescência, motivada pela prisão e perseguição de meu pai durante a ditadura militar”, relatou. Ela lembrou que participou do movimento estudantil, foi a primeira presidente eleita democraticamente no diretório de sua escola e posteriormente ingressou na política partidária.
A trajetória de Lídice também inclui a eleição para a Câmara Municipal de Salvador e, posteriormente, para a Assembleia Nacional Constituinte. Ela foi uma das 26 mulheres que participaram da elaboração da Constituição Federal de 1988.
“Minha trajetória foi marcada pela busca incessante pela liberdade”, afirmou a deputada, ao recordar que foi escolhida pelo então PCdoB, que ainda atuava na clandestinidade, para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Salvador. Na eleição, esteve entre as três candidatas mais votadas e, durante o mandato, foi eleita deputada federal constituinte.
Lídice também destacou sua candidatura ao Governo da Bahia em uma chapa formada exclusivamente por mulheres e, dois anos depois, sua eleição para a Prefeitura de Salvador. À frente da capital baiana, enfrentou forte oposição política e, segundo ela, tentativas de afastamento articuladas pelo poder local.
Apesar das dificuldades, a deputada afirma ter encerrado a gestão com reconhecimento popular e com a realização de obras estruturantes e de políticas sociais. Entre as iniciativas, destacou um projeto de acolhimento social infantil reconhecido internacionalmente pela UNESCO e pelo UNICEF.
Constituição de 1988 e os avanços para as mulheres
Ao avaliar as mudanças na participação feminina na política desde seu primeiro mandato, Lídice da Mata considera a Constituição de 1988 um divisor de águas para os direitos das brasileiras.
“Houve uma transformação profunda, especialmente com a Constituição de 1988, que instituiu o marco de ‘antes e depois’ para os direitos das brasileiras”, afirmou.
Para a deputada, a presença das 26 mulheres na Assembleia Nacional Constituinte demonstrou a importância da representação feminina na elaboração de políticas públicas e na construção de direitos.
Ela citou entre os avanços assegurados pela Constituição a igualdade jurídica entre homens e mulheres, o direito à propriedade, o planejamento familiar e a licença-maternidade. Também relacionou o protagonismo feminino na política à criação de mecanismos posteriores de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha.
“A Constituinte, com a presença de 26 mulheres, provou que a nossa representatividade é o que garante leis mais justas”, destacou.
Participação feminina ainda enfrenta barreiras econômicas
Para Lídice, apesar dos avanços institucionais, a participação das mulheres na política ainda está distante de representar sua presença na sociedade. A deputada defende que a ampliação da presença feminina nas candidaturas precisa vir acompanhada de condições efetivas para que as mulheres possam disputar e exercer o poder.
“Conquistamos a obrigatoriedade de 30% das candidaturas femininas e a destinação de recursos do fundo eleitoral, mas isso ainda é insuficiente”, avaliou.
Na avaliação da parlamentar, o principal obstáculo atualmente é o acesso aos recursos econômicos. Ela argumenta que a desigualdade salarial e a baixa presença das mulheres em posições de poder econômico também se refletem no financiamento das campanhas eleitorais.
“O maior desafio é o acesso ao poder econômico”, afirmou. “Para transformar a maioria demográfica feminina em representação efetiva no poder, precisamos democratizar o acesso aos recursos e superar as barreiras econômicas que limitam a participação plena das mulheres.”
Para Lídice da Mata, ocupar cadeiras no Legislativo é apenas uma parte da transformação. O desafio, segundo ela, é garantir que as mulheres também estejam presentes nos espaços onde são tomadas as principais decisões políticas e econômicas do país.
Créditos Autor: Notícias da Bahia
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