A prática de exercícios físicos provoca respostas esperadas no organismo, como aumento da frequência cardíaca, da respiração e da sensação de esforço. No entanto, alguns sintomas durante ou logo após a atividade física não devem ser considerados normais. Entre eles estão dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, tontura ou perda de consciência.
O alerta ganha importância diante de episódios de mal súbito associados à prática esportiva. Em Brasília, uma atleta de 46 anos morreu após passar mal depois de um treinamento no Parque da Cidade. Pessoas realizaram manobras de reanimação no local. Depois, encaminharam a mulher para um hospital, mas ela não resistiu. A causa do mal súbito não foi informada.
Segundo o cardiologista e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Luciano Janussi Vacanti, a realização regular de exercícios não elimina a possibilidade de alterações cardiovasculares. Em pessoas predispostas, inclusive naquelas que ainda não receberam um diagnóstico, o esforço físico pode desencadear um evento cardiovascular.
Quais sintomas durante o exercício exigem atenção?
Durante exercícios intensos, é esperado que a frequência cardíaca e a respiração aumentem. A percepção de esforço também tende a crescer. Porém, algumas manifestações fogem dessa resposta fisiológica e exigem atenção.
Entre os principais sinais de alerta estão dor ou desconforto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, sensação de desmaio ou desmaio e palpitações ou batimentos muito rápidos e irregulares. A preocupação aumenta quando esses sintomas aparecem acompanhados de outras manifestações.
“Sentir cansaço e aumento da frequência cardíaca durante o exercício é esperado. O que não é normal é apresentar dor no peito, desmaio, falta de ar desproporcional ao esforço ou palpitação acompanhada de sintomas. Mal-estar intenso, sudorese fria, palidez ou náuseas associados ao esforço também são sinais de alerta”, afirma.
As causas que podem estar relacionadas a esses eventos também variam conforme a idade. Entre pessoas mais jovens, podem estar envolvidas cardiomiopatias, como as formas hipertrófica e arritmogênica, além de doenças elétricas hereditárias, como a síndrome do QT longo e a síndrome de Brugada.
Já em adultos com mais de 35 anos, ganha importância a doença arterial coronariana. Ela pode provocar isquemia, infarto e arritmias ventriculares malignas durante o esforço.
Por isso, o aparecimento de sintomas relevantes durante a atividade não deve ser ignorado. A pessoa também não deve interpretar automaticamente essas manifestações como uma consequência normal do exercício.
O que fazer quando os sintomas aparecem?
Ao apresentar um sinal de alerta durante a atividade física, a primeira orientação é interromper imediatamente o exercício.
Mesmo quando o sintoma desaparece depois de alguns minutos de repouso, episódios importantes precisam de avaliação antes da retomada dos treinos. Essa atenção aumenta diante de perda de consciência, dor no peito ou palpitação acompanhada de sintomas.
“Se o sintoma desaparece após interromper o exercício, mas foi significativo, especialmente nos casos de síncope, dor torácica ou palpitação sintomática, a pessoa não deve simplesmente voltar ao treino sem uma avaliação médica. Se houver dor no peito persistente, falta de ar importante, perda da consciência, instabilidade ou suspeita de um evento cardiovascular agudo, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente”, orienta.
Em uma situação de emergência, a pessoa pode acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192. O Ministério da Saúde disponibiliza informações sobre o serviço em sua página oficial.
Quando é necessário fazer uma avaliação antes de praticar exercícios?
A necessidade de avaliação médica antes de iniciar ou aumentar a intensidade de uma atividade física depende das características de cada pessoa e do exercício pretendido.
A atenção deve ser maior quando há sintomas cardiovasculares, doença cardíaca conhecida ou suspeita, alterações no exame clínico ou no eletrocardiograma, histórico familiar de morte súbita ou de doenças cardiovasculares hereditárias, além de fatores de risco relevantes.
A avaliação também merece atenção especial entre pessoas mais velhas que pretendem iniciar exercícios vigorosos. Nessa faixa etária, a doença coronariana passa a ter maior importância.
“Pessoas de maior idade que pretendem realizar exercícios vigorosos também precisam de atenção especial, porque a doença coronariana passa a ter maior importância nessa faixa etária. Mas isso não significa que todo mundo precise fazer uma bateria extensa de exames antes de começar a caminhar ou realizar uma atividade leve. A avaliação deve ser individualizada conforme idade, intensidade pretendida, sintomas, antecedentes e fatores de risco”, explica.
Assim, não existe uma única rotina de exames indicada para todas as pessoas antes de começar a se exercitar. A avaliação deve considerar o histórico individual, os sintomas apresentados e o nível de intensidade da atividade.
Para quem já possui uma doença cardiovascular conhecida, a avaliação médica também pode analisar o diagnóstico e os riscos relacionados ao exercício. O profissional pode considerar ainda as características da modalidade escolhida para definir uma prática mais segura.
Como agir diante de um mal súbito durante ou após o exercício?
Quando uma pessoa perde a consciência durante ou depois da atividade física, é necessário verificar rapidamente se ela respira normalmente. Caso esteja inconsciente e não respire normalmente ou apresente apenas respiração agônica, deve-se considerar a possibilidade de uma parada cardíaca.
O primeiro passo é verificar se o ambiente oferece segurança para quem vai prestar o atendimento. Em seguida, é preciso avaliar a resposta da pessoa. Se ela estiver inconsciente e não respirar normalmente, acione imediatamente o SAMU pelo telefone 192 e solicite um desfibrilador externo automático (DEA), caso exista um equipamento disponível no local.
Depois de acionar o serviço de emergência, devem começar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
“Depois de acionar o serviço de emergência, devem ser iniciadas imediatamente as compressões torácicas. Elas devem ser feitas no centro do tórax, de forma forte e rápida, permitindo o retorno completo do peito após cada compressão e minimizando as interrupções. Para o socorrista treinado, são realizadas 30 compressões para duas ventilações”, explica.
Quando houver um DEA disponível, ligue o equipamento e siga suas instruções. Coloque as pás conforme a indicação do próprio aparelho. Durante a análise do ritmo e a aplicação do choque, ninguém deve tocar na pessoa. Após a orientação do equipamento, retome imediatamente as compressões.
A RCP e o uso do DEA devem continuar até que a pessoa apresente sinais de vida ou até a chegada da equipe de emergência.
“A RCP e o uso do DEA devem continuar até que a pessoa apresente sinais de vida ou até que a equipe de emergência assuma o atendimento. Reconhecer rapidamente uma parada cardíaca, acionar o socorro e iniciar as compressões são medidas fundamentais nos primeiros minutos”, finaliza.
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