O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, prometeu compensar integralmente os clientes prejudicados pela crise financeira envolvendo o Ueno Bank. A declaração foi feita nesta sexta-feira (6), durante seu primeiro discurso após assumir a Presidência da República, em substituição a Santiago Peña, destituído pelo Senado em um processo de impeachment.
“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do descalabro financeiro serão compensados plenamente. Não vamos deixá-los sozinhos”, afirmou Alliana, ao receber a faixa e o bastão presidenciais.
A posse ocorreu poucas horas depois de o Senado aprovar o afastamento de Peña, em uma votação que terminou com 44 votos favoráveis à destituição, entre os 45 parlamentares presentes ou com direito a voto na sessão, conforme a composição registrada. O processo foi concluído em menos de 28 horas, em meio à pressão provocada pela crise bancária e às manifestações populares.
A queda do ex-presidente está diretamente relacionada às investigações sobre o Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai após problemas de solvência. A crise deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados e provocou protestos em diferentes regiões do país.
Ex-presidente é detido após perder o cargo
Pouco depois da destituição, Santiago Peña foi detido por determinação do Ministério Público paraguaio. A medida integra uma investigação criminal sobre possíveis irregularidades relacionadas ao banco, incluindo suspeitas de lesão de confiança e outros delitos.
A ordem de detenção também alcançou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai, que ocupou anteriormente uma posição de liderança no Ueno Bank. Ele se apresentou às autoridades e ficou sob custódia policial.
Peña teve inicialmente a prisão cumprida em sua residência, mas foi posteriormente transferido para uma unidade de segurança presidencial, após incidentes e manifestações nas proximidades de sua casa. As investigações buscam esclarecer possíveis responsabilidades na condução da crise financeira.
Antes da votação que confirmou sua saída, Peña havia apresentado uma renúncia, alegando que pretendia evitar maiores prejuízos ao país e contribuir para a recuperação da estabilidade política.
“Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal”, declarou.
Alliana assume até 2028
Com a destituição, Pedro Alliana, que ocupava a Vice-Presidência desde 2023, assumiu o comando do Executivo paraguaio para concluir o atual mandato, previsto para terminar em 2028.
Em seu primeiro pronunciamento, o novo presidente também prometeu priorizar os setores mais vulneráveis, melhorar os serviços públicos e adotar medidas para recuperar a confiança da população nas instituições.
A crise do Ueno Bank tornou-se um dos maiores desafios políticos e econômicos recentes do Paraguai, provocando uma mudança no comando do país e abrindo uma investigação que poderá ter novos desdobramentos.
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