O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo em meio à grave crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno. A decisão ocorre após dias de protestos, desgaste do governo e pressão de parlamentares que avançavam com um processo de impeachment.

A crise ganhou força depois que o Banco Central paraguaio iniciou a intervenção na instituição financeira, que deixou milhões de clientes sem acesso às contas e aos recursos depositados. O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos.

Peña também passou a enfrentar questionamentos por ter sido acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. Parlamentares da oposição apresentaram acusações de conflito de interesses, irregularidades na fiscalização da instituição e possível uso indevido de recursos previdenciários. As acusações ainda são objeto de investigação.

A pressão política aumentou quando 35 deputados apresentaram um pedido de impeachment. A situação do presidente se agravou após lideranças do Partido Colorado, incluindo Horacio Cartes, retirarem o apoio ao governo.

A crise também provocou a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de oito dirigentes ligados à instituição financeira. O Ministério Público paraguaio abriu investigações sobre as irregularidades apontadas no caso.

Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência para completar o mandato, previsto até agosto de 2028, conforme as regras constitucionais paraguaias.

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