O presidente do partido Missão e ex-candidato à Presidência, Renan Santos (Missão), criticou nesta quarta-feira (28) a decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de contestar o resultado das eleições e anunciar sua atuação política a partir dos Estados Unidos. Em entrevista ao portal Metrópoles, Renan classificou a iniciativa como uma “oposição EaD” e defendeu que a disputa política seja conduzida dentro do Brasil.
“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EaD sendo feita lá dos Estados Unidos”, afirmou Renan, ao dizer que pretende enfrentar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em território brasileiro.
Flávio chegou a Miami acompanhado da família e publicou uma carta na qual se declarou inicialmente “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, além de alegar fraude eleitoral sem apresentar provas. Posteriormente, alterou o texto e passou a se apresentar como uma liderança da oposição.
Renan compara estratégia a caso venezuelano
Durante as críticas, Renan comparou a iniciativa do senador à atuação de Juan Guaidó, político venezuelano que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, em oposição a Nicolás Maduro. O dirigente do Missão, porém, ressaltou que considera diferentes os contextos, argumentando que o partido de Flávio continua atuando normalmente no Brasil.
Renan também questionou as críticas do senador ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, lembrando que Flávio havia apoiado a indicação do magistrado durante sua sabatina no Senado.
Ex-candidato questiona relação com Trump
Renan ainda colocou em dúvida a continuidade do apoio do presidente americano Donald Trump a Flávio. Na avaliação do dirigente, os interesses comerciais dos Estados Unidos podem prevalecer sobre alianças políticas, levando Trump a se afastar do senador caso considere que a relação prejudica seus objetivos econômicos.
“Trump não tem amigos, tem parceiros de negócios”, declarou Renan, ao sustentar que o apoio americano não deve ser tratado como garantido.
Apesar das críticas, o ex-candidato afirmou não considerar que a atuação de Flávio a partir do exterior represente, por si só, uma ameaça à democracia brasileira. Sua principal contestação é à estratégia de conduzir a oposição fora do país.
Resultado eleitoral
No segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio obteve 48,21%, segundo os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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