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A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute nesta quarta-feira (30) uma proposta de norma sobre a manipulação de medicamentos agonistas de GLP-1 e GIP. Esses fármacos são usados no tratamento da obesidade e do diabetes.

Especialistas alertam que a medida representa um avanço regulatório. No entanto, ela ainda não elimina os principais riscos sanitários ligados ao uso dessas substâncias.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) enviou uma contribuição técnica à Agência. No documento, a entidade afirma que a manipulação dessas moléculas fora do ambiente industrial representa risco relevante à segurança dos pacientes.

Além disso, a sociedade destaca que o enfrentamento do problema exige mais do que restrições regulatórias. Segundo a entidade, também é necessário ampliar o acesso a tratamentos seguros e baseados em evidências científicas.

Proposta amplia exigências técnicas no processo de manipulação

A proposta em análise define critérios técnicos para várias etapas da manipulação. Entre elas, estão a importação dos insumos, a qualificação de fornecedores e o controle de qualidade.

O texto também inclui exigências relacionadas ao armazenamento, ao transporte e à rastreabilidade dos produtos. Dessa forma, a norma busca aumentar o controle sobre essas substâncias.

Segundo a SBEM, a iniciativa representa um avanço importante. Isso ocorre porque o setor cresceu rapidamente nos últimos anos. Ainda assim, a entidade considera que as mudanças propostas não garantem proteção adequada à população.

De acordo com o documento, o principal problema permanece. O risco está ligado ao uso dessas moléculas fora do ambiente industrial, onde existe maior controle sobre qualidade e segurança.

Complexidade dos medicamentos aumenta os riscos

Especialistas explicam que os agonistas de GLP-1 e GIP apresentam alta complexidade biológica. Por isso, pequenas variações no processo produtivo podem gerar impactos importantes.

Essas mudanças podem afetar tanto a eficácia quanto a segurança do tratamento. Além disso, fatores como impurezas e alterações moleculares podem comprometer a estabilidade do medicamento.

Segundo a SBEM, testes laboratoriais isolados não identificam todos esses riscos. Na prática clínica, essa variabilidade pode gerar respostas imprevisíveis ao tratamento.

Em alguns casos, eventos adversos inesperados também podem ocorrer. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de maior controle sanitário.

Uso padronizado fora das indicações preocupa especialistas

Outro ponto destacado envolve o uso ampliado dessas preparações. Em teoria, a manipulação magistral deve ocorrer apenas em situações específicas e individualizadas.

No entanto, especialistas observam oferta padronizada dessas preparações em diferentes serviços. Em muitos casos, estabelecimentos mantêm estoques e utilizam protocolos pré-definidos.

Esse modelo se aproxima de uma produção em série. Porém, ele não segue os mesmos controles exigidos para medicamentos industrializados.

Além disso, especialistas afirmam que não existe justificativa clínica consistente para esquemas diferentes daqueles já aprovados. Medicamentos registrados passam por estudos rigorosos antes da liberação para uso.

Imagem: Magnific

Entidade defende proibição da manipulação dessas substâncias

Diante dos riscos identificados, a SBEM recomenda a proibição da manipulação de agonistas de GLP-1 e GIP.

Segundo a entidade, essa medida reduziria vulnerabilidades sanitárias. Além disso, ajudaria a proteger a população contra riscos evitáveis.

A sociedade avalia que manter a manipulação dessas substâncias cria um ponto crítico de risco. Esse cenário combina alta complexidade farmacológica com limitações de fiscalização.

Além disso, o documento alerta para práticas clínicas sem respaldo científico. Em alguns casos, o uso dessas preparações ocorre em modelos com forte componente comercial

Ampliação do acesso a tratamentos seguros deve acompanhar restrições

Apesar das críticas, a SBEM destaca outro ponto importante. Restringir práticas de risco deve ocorrer junto com a ampliação do acesso a tratamentos seguros.

A obesidade é uma doença crônica e progressiva. Além disso, ela apresenta impacto significativo na saúde pública.

Mesmo assim, o acesso a medicamentos eficazes ainda é limitado, principalmente no sistema público de saúde.

Por isso, especialistas defendem políticas públicas que ampliem o acesso a terapias validadas. O objetivo é garantir tratamento seguro e baseado em evidências científicas.

Implantes hormonais também entram no debate

Além dos medicamentos agonistas de GLP-1 e GIP, a SBEM chama atenção para os implantes hormonais manipulados.

Segundo a entidade, esses produtos fazem parte do mesmo cenário de risco sanitário. Esse ambiente inclui fragilidades na origem dos insumos e ausência de comprovação adequada de segurança.

Diante disso, a sociedade solicita que a regulamentação desses produtos entre na agenda regulatória da Anvisa.

Especialistas afirmam que o enfrentamento do problema exige ações integradas. Essas ações devem incluir regulação técnica, fiscalização efetiva e qualificação das informações oferecidas à população.

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Créditos Autor: Isabela
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