A Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica nesta quarta-feira 20, um projeto de lei que transforma parte da área da Floresta Nacional do Jamanxim em Área de Proteção Ambiental (APA). Esta categoria permite a regularização fundiária e usos econômicos mais amplos da área.

O texto, que vai à análise do Senado, foi votado em plenário em regime de urgência, um dia depois de ser protocolado na Casa.

Como floresta nacional, o Jamanxim tem regras mais rigorosas do que as das APAs. A área fica no município de Novo Progresso (PA) em um espaço de 1.302.000 hectares de vegetação, conforme dados do Instituto Chico Mendes. Com a proposta de autoria do líder do MDB Isnaldo Bulhões (AL), essa área foi reduzida a 814 mil hectares e convertida em APA. 

O pano de fundo para acelerar a votação é a construção da Ferrogrão, ferrovia que busca para facilitar o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste e considerada prioritária para ruralistas da região e do Norte.

Listada como uma das obras da nova fase do novo PAC, a ferrovia tem 933 quilômetros de extensão e vai ligar as cidades de Sinop (MT), um dos maiores produtores de grãos, e Itaituba (PA), cidade portuária às margens do Rio Tapajós.

O texto foi relatado por José Priante (MDB). De acordo com o deputado emedebista, o projeto não extingue áreas protegidas, apenas “recategoriza” o território. Ele também disse que a aprovação do PL significa regularizar áreas já ocupadas antes de 2006, quando foi criada a Floresta Nacional – tese que parlamentares governistas e ambientalistas contestam.

“Há uma necessidade incontornável de resolver conflitos fundiários na região, cuja ocupação é anterior à área protegida. Desde a criação da Floresta Nacional do Jamanxim revela-se uma tensão permanente entre a pressão pela regularização fundiária e pela expansão das atividades agropecuárias na região, de um lado, e os compromissos constitucionais e legais de proteção da Amazônia, de outro”, afirmou Priante.

A ex-ministra do Meio Ambiente, deputada federal Marina Silva (Rede), afirmou que a mudança aprovada coloca em risco a floresta. “O risco é de fazermos a legalização de atividades irregulares, como o garimpo, grilagem de terra, dentro de uma área estratégica para a proteção da biodiversidade, vamos comprometer a proteção dessa área”, disse.

Créditos Autor: Wendal Carmo
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